– Oi!
– Oi!
– O que é que você está fazendo aí?
– Esperando o ônibus.
– Ele vem de onde?
– De São João del-Rei.
– E vai pra onde?
– Pra São João del-Rei.
– Então por que ele saiu de lá?
– É que os passageiros...
– Passageiro? Você é um passageiro?
– Todo mundo é passageiro, filho. Na verdade, tudo é passageiro.
– Todo mundo? E pra onde é a passagem?
– Quantos anos você tem?
– Eu tenho cinco. E me chamo Mateus. Pra onde é a sua passagem?
– Pra São João del-Rei.
– Hum! E o que você tá fazendo aqui em Resende Costa?
– Eu sou professor.
– Eu já sei escrever.
– Legal! Como é que você escreve o seu nome?
– Com uma caneta.
– Você está sozinho na rua?
– Não, a mamãe tá comigo. É aquela ali perto do poste. Ela comprou um brinquedo pra mim.
– Bonita a sua mamãe. Ela gosta muito de você. Comprou um brinquedo. Ela é boa.
– Manhê!!! O moço aqui falou que você é bonita e boa!
– Ops! Chegou o ônibus. Tenho que entrar depressa.
– Cuidado, não suba a escadinha do ônibus assim correndo. Você pode cair. Nossa! Já chegou na janelinha.
– Tchau, Mateus! Você é um menino muito legal. Agora eu vou fechar a cortina da janelinha pra dormir um pouco, tá? O ônibus já tá saindo. Tchau!
– Que dia que você volta?
– Qualquer dia. Aí eu vou brincar com você lá na sua casa. Quer dizer, se a sua mãe der licença pra mim.
– Manhê!!! O moço pediu licença... é pra você dar pra ele!
– VAMOS EMBORA, GÉRSON! O ÔNIBUS JÁ ESTÁ COMPLETO. ACELERA ESSA COISA PELO AMOR DE DEUS!!!
O inconveniente
13 de Julho de 2009, por José Antônio
Leitor do JL - 01/02/2009
Olá,
Estive em Resende Costa recentemente e conversei com um músico ao voltar para São João.Não sabia que o Sr. escreve para os leitores desse jornal.
Abração.