Contemplando as Palavras

O retorno ao solo natal

01 de Julho de 2026, por Regina Coelho 0

Deixar para trás a cidade natal é um marco de vida, em razão de tudo que essa decisão representa em termos de mudança, aqui entendida em todos os sentidos. Há, porém, aquelas pessoas que só nascem no lugar de onde se mudam logo, normalmente levadas pelos pais e sem tempo para a construção de quaisquer memórias, na condição recém-nascidas ou pouco mais que isso. Bem diferente é partir mudando de vida, levando e deixando lembranças. Partir por opção e/ou necessidade, para trabalhar e/ou estudar, para crescer na profissão ou pessoalmente. E para voltar um dia. Ou não.

A ficção é pródiga em construir cenas de retorno à terra natal. Cito aqui Tieta (Betty Faria), protagonista que dá título a uma novela adaptada para tevê (de 1989) da obra original de Jorge Amado (1912-2001). E resgato o regresso triunfal dela a Santana do Agreste, 25 anos após ter deixado a cidade, escorraçada pelo próprio pai, que não aceitava o comportamento liberal da filha. Dada como morta, eis que ela ressurge: rica, linda, vivíssima e pronta para se vingar daqueles que a maltrataram. Cena inesquecível.

Caindo na real, falemos dos que voltam. Muitos, para ficar. Há aqueles que voltam sempre: de mês em mês, uma, duas ou três (quem sabe, quatro) vezes ao ano ou todo (ou quase todo) final de semana. Esses últimos praticamente não foram embora. E há ainda os que estão presentes nas ocasiões festivas. Ah, como são propícias essas ocasiões aos reencontros familiares e com amigos ou conhecidos. E estar em casa faz toda a diferença. Apropriemo-nos, então, particularmente, do nosso calendário de eventos. Para os fãs da folia, por que não passar o carnaval na terrinha e sair no Bloco das Domésticas, relembrando outros tempos? Semana Santa tem que ser em Resende Costa! Isso é sagrado, duplamente entendido. E julho sugere o quê? Uma vinda a Resende Costa para o Rodeio, assim mesmo, como costumamos escrever essa palavra, com R maiúsculo, o que virou uma metonímia exclusiva (a parte) para nos referir à Exposição Agropecuária local (pelo todo). E quem é resende-costense entende: Rodeio é a festa toda. Outra oportunidade (ou desculpa) para marcar presença por aqui surge mais adiante com a nossa tradicional Festa do Rosário, imperdível para muitos. Estar por nossas ruas ou em casa para as festas de final de ano, em especial, para o Natal, isso é quase sempre certo.

Nessa permanência temporária, fora os propósitos festivos ou além deles, as preferências em desfrutar momentos de alegria se dividem em programas simples e reveladores que a cada um (a) tocam de maneira única. Uma ida às Lajes (de Cima ou de Baixo), à igreja matriz, ao povoado natal ou à rocinha. Um rolê pelos bares de sempre ou do momento, um giro pelas casas dos parentes, ou, quem sabe, dos amigos daqui. Em casa, há os afagos familiares, especialmente, as comidas feitas pela mãe, avó ou outro familiar e que nunca faltam. Reconhecer-se em tudo isso é manter viva a identificação com a terra que nos viu nascer.

Consideremos agora os ausentes: os de fato ausentes e os ausentes apenas no plano físico da terra natal. Ser ausente de fato, entre outras razões, significa associar um passado de sofrimento vivido na cidade natal à própria cidade. Ser ausente presente, entre outros motivos, é preferir preservar, de longe, as boas lembranças de um passado feliz, por óbvio, que não mais existe.

Ocorre-me lembrar o mineiro Carlos Drummond, que visitou Itabira pela última vez em 1948 (muito antes de morrer, em 1987), o que alguns conterrâneos achavam um pouco caso dele com a cidade. Na verdade, ele só se afastou dela fisicamente, pois crônicas e poemas seus comprovam seu amor a ela, bem como sua tristeza e indignação pela extração predatória de minério no município. “Eu vejo a minha Itabira do passado na minha fotografia na parede”, disse certa vez.

Pensemos, na possibilidade dos regressos felizes em reconexão espiritual com nossas raízes, com o solo natal, onde, então enterrado, encontrou morada o nosso umbigo, símbolo de pertencimento àquele lugar.

Pelo simples direito de viver em paz

27 de Maio de 2026, por Regina Coelho 0

Orientado pelo conceito Todos por todas, o Plano Nacional Brasil Contra o Feminicídio, lançado em fevereiro deste ano, é uma iniciativa inédita dos Três Poderes da República em torno de ações integradas e permanentes de prevenção, proteção de vítimas e responsabilização de agressores nos casos de violência letal contra mulheres e meninas. A partir daí, plataformas digitais e redes sociais, sites oficiais do Governo, meios de comunicação de massa (tevê, rádio, mídia impressa) e locais públicos e institucionais passaram a veicular mais informações e empreender campanhas educativas com enfoque no engajamento da sociedade e, por extensão, no chamamento aos homens no combate a esse crime que é o assassinato de uma mulher, cometido por razão de condição de sexo da pessoa.

A parte de Comunicação oficial do Plano inclui um filme que ressignifica a canção Maria da Vila Matilde (referência à Lei Maria da Penha), de Douglas Germano, consagrada na voz de Elza Soares (1930-2022). Na versão de agora, para a campanha, partes da letra são apresentadas por falas masculinas, uma estratégia comunicacional para deslocar e estender para o homem não agressor a responsabilidade pelo enfrentamento à violência masculina.

O chamado pela união de todos provocou a adesão de entidades públicas e empresas privadas por meio de campanhas paralelas sustentadas por esse mote. O que pode ser visto, por exemplo, em Nosso Papel, ação promovida pela Globo, com o apoio de importantes instituições de referência na defesa dos direitos das mulheres. Partindo de uma provocação direta, o vídeo reúne os atores Dan Stulbach, Enrique Diaz e Ronnie Marruda com a leitura de frases marcantes reproduzindo comportamentos machistas, misóginos e violentos de personagens que interpretaram em novelas.

Stulbach revive Marcos, de Mulheres Apaixonadas (2003), ao dizer: “Você não assume o papel de uma mulher casada. Se você não tá me entendendo, eu vou fazer você entender”. Diaz retoma Gérson, de Volta por cima (2024/2025), com a seguinte fala: “A culpa pelas minhas atitudes é sua! Você é que me leva a fazer essas coisas”. E Ronnie, trazendo de volta o personagem Cigano, de Senhora do destino (2004/2005), ameaça: “Experimenta não fazer o que eu tô mandando. Experimenta!” O final vem com Dan Stulbach, sem o personagem abusivo de antes, para declarar que “enfrentar a violência contra a mulher é nosso papel”, reforçando o convite para que os homens sejam aliados das mulheres contra essa realidade.

E que realidade! Em 2025, segundo Levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (organização não governamental, apartidária e sem fins lucrativos), foram registrados 1.568 casos de feminicídio, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior, com a ocorrência maior desse crime (66,3%) se dando dentro da própria residência das vítimas. Esses e tantos outros números alarmantes evidenciam a persistência e o crescimento da violência letal de gênero no Brasil, ano a ano, numa escalada de ações violentas que simplesmente matam mulheres.

Sem negar os avanços obtidos nas lutas contra esse mal, fato mesmo é que somos um país com uma estrutura social que ainda naturaliza a desigualdade de gênero, a violência doméstica e o controle masculino em forma de posse sobre as vidas e os corpos femininos. E pasmem! Como se já não bastasse tudo isso, há uma outra luta em curso, desta vez, tendo como mira da Polícia e da Justiça grupos que propagam criminosamente conteúdos (vídeos, imagens) que, sob uma roupagem de humor, incentivam o uso da violência contra a mulher em plataformas digitais. E que aparecem acompanhados da legenda “Quando ela diz não...” (ou “When she says no...”), uma sugestão explícita de agressão por parte de homens a uma negativa de relacionamento ou assédio (Não é não!), vinda de mulheres.

Em evento recente no Tribunal Superior Eleitoral, ao proferir a palestra Liberdade da mulher de ir e vir – um direito ainda em construção, a ministra Cármen Lúcia foi categórica ao afirmar: “Resolveram nos matar. Resolvemos viver. Temos uma equação para pacificar essa relação”. Disse tudo!

Um referencial de vendas de livros

29 de Abril de 2026, por Regina Coelho 0

Na página 89 de cada edição semanal, já quase no final do conjunto de matérias que oferece aos leitores, Veja mantém, desde a década de 1970, a seção Os mais vendidos, que se consolidou ao longo dos anos como um referencial de vendas de livros no Brasil. Nela, a apresentação dos títulos das obras (com seus respectivos autores e editoras) é separada em categorias: Ficção, Não Ficção, Autoajuda e Esoterismo, Infantojuvenil, compreendendo posições de 1 a 10. O rodapé da folha traz uma relação de lugares (capitais e outras cidades de médio a grande porte e livrarias aí situadas) usados como pesquisa na formação da lista.

Sem desconsiderar o interesse e o empenho do meio editorial em ver seus produtos ocupando esse ranking tão cobiçado, é igualmente verdade que determinados fatos ligados de alguma maneira a certas publicações acabam funcionando como propaganda potente para que elas ganhem um chamariz extra na decisão do(a) leitor(a) de comprá-las. Sobre essa afirmação não faltam exemplos. Senão vejamos.

Marcelo Rubens Paiva é o autor de Ainda estou aqui, lançado em 2015, uma não ficção, precisamente uma biografia que deu origem ao filme homônimo. Estrelado por Fernanda Torres e Selton Mello e dirigido por Walter Salles, o longa brasileiro de drama foi premiado com o primeiro Oscar de filme internacional para nós, em 2025. Ao chegar às telas do cinema e conquistar outras premiações no exterior, o livro de Paiva atingiu a segunda posição na lista Os mais vendidos de 2025 de Veja.

Outro caso semelhante se deu com Um defeito de cor, de Ana Maria Gonçalves. Do lançamento em 2006 à aclamação pela crítica especializada, o romance da escritora mineira alcançou o Sambódromo e aguçou o interesse popular por ele, tornando-se enredo da Portela no carnaval carioca de 2024. Fácil é imaginar o grande salto de vendagem desse que é considerado um dos livros essenciais para o entendimento da história do país, mais tarde, novamente em evidência, com a entrada da autora à Academia Brasileira de Letras, em julho do ano passado.

Frequentando a já citada lista e outras, há os clássicos de sempre. Consolidados no mercado, uns e outros são destacados por trechos usados como suporte em provas do Enem e/ou citados por candidatos em suas argumentações para a temida redação. E por falar nessas obras atemporais, na categoria Infantojuvenil da lista anual 2025 da mencionada revista, o best-seller O Pequeno Príncipe (1943), do francês Antoine de Saint-Exupéry, manteve o lugar mais alto no pódio dos mais vendidos, que vem ocupando desde 2023.

Embora leve ainda a fama injusta e reducionista como “leitura de miss”, um preconceito que subestima a inteligência das candidatas, é claro, bonitas, esse campeão de vendas teria recebido do filósofo alemão Heidegger (1889-1976) a seguinte opinião: “Não é um livro para crianças, é a mensagem de um grande poeta que alivia qualquer solidão e pelo qual (livro) somos levados a compreensão dos grandes mistérios do mundo”. Fábula essa do menino de cabelo dourado que vem de um pequeno asteroide e encontra um piloto de avião perdido no deserto e que mereceu traduções que se tornaram famosas. Dom Marcos Barbosa, monge beneditino, poeta e tradutor; Mário Quintana e Ferreira Gullar, também poetas; os três já falecidos; e Frei Betto, frade dominicano e escritor, são alguns tradutores notáveis dessa obra (originalmente publicada em francês e inglês) para o português e para todas as idades.

Temos nossos clássicos. Restringindo-me à literatura infantil no Brasil, em seus primórdios, é necessário citar Monteiro Lobato (1882-1948), autor de Reinações de Narizinho e outros muitos sucessos. Particularmente pensando, destaco A Bonequinha Preta, da mineira Alaíde Lisboa de Oliveira (1904-2006). Lançada em 1938, atravessando gerações e com milhões de exemplares reeditados e vendidos desde então, a história da menina Mariazinha e sua boneca “negra como carvão” me remete à infância. Afinal de contas, O Bonequinho Doce, da mesma Alaíde, e A Bonequinha Preta (que tínhamos em casa) foram os primeiros livros que li, duas janelas que se descortinaram para mim diante do mundo extraordinário da leitura.

É segredo

25 de Marco de 2026, por Regina Coelho 0

Pulcinella (Polichinelo, em português) é um personagem tradicional da commedia dell’arte, que foi uma manifestação teatral de improvisação surgida na Itália no século XVI. Caracterizado pela máscara preta com nariz longo, roupas brancas e personalidade fanfarrona e, muitas vezes, trapalhona, ele não conseguia guardar segredos, contando-os em voz alta à plateia, tornando-os, pois, públicos. Surgiu daí a expressão “segredo de Polichinelo”, usada para nomear uma informação que, apesar de ser classificada como sigilosa, é do conhecimento de todos. Trata-se de um falso segredo ou um segredo aberto, quando algo já se tornou público, mas continua sendo tratado como confidencial.

Também personagem e por alguns anos presente no humorístico A praça é nossa (SBT), Vamércia é a fofoqueira do pedaço, interpretada pela atriz/comediante Maria Teresa (1936-1999) e lembrada sobretudo por seu irônico bordão e muitos tropeções na gramática: “Minha boca é um túmbalo”, garantia ela.

A metáfora da boca entendida como um túmulo sugere silêncio, fechamento. O mesmo acontece quando se fala em “segredo guardado a sete chaves”. Ao que se sabe, essa expressão tem origem na Idade Média, quando documentos importantes, tesouros e demais objetos de valor eram guardados em total segurança em arcas ou cofres com muitas fechaduras que exigiam a presença de várias pessoas (cada uma com uma chave) para serem abertas. Com o tempo, o número 7, considerado sagrado e símbolo de perfeição e proteção em muitas culturas, ganhou o lugar do 4, geralmente, o número real de chaves para cada fechadura daquelas caixas antigas. Cotidianamente, o sentido do que está guardado a sete chaves, de documentação sigilosa a histórias pessoais, remete à ideia do que está escondido, trancado por barreiras.

Fala-se muito também em segredo de estado, instrumento controverso usado por governos, por poder criar conflito entre o que se julga ser necessário manter em segredo e o que constitui falta de transparência. E há o segredo de justiça, mecanismo legal determinado pelo Judiciário para a tramitação de determinados processos.

Por outro lado, vive-se hoje uma realidade em que discrição e privacidade são artigos raros. Em tempos de superexposição e compartilhamento potencializados pelas redes sociais, tudo ao alcance de plateias estratosféricas, impressiona ver tanta intimidade escancarada por aí. Trancar-se, no entanto, não repartir nada com ninguém não é a saída. “Ao guardar um segredo que a atormenta, a pessoa acaba ruminando aquele pensamento e às vezes amplifica perigosamente o incômodo”, observa o psicólogo Vicente Cassepp-Borges, da Universidade Federal Fluminense (UFF). Ainda a favor da quebra do que é guardado como algo perturbador há a compreensão para o que certas revelações têm de necessárias. Talvez seja o caso do servidor público Saulo Láuar, que, ao reviver o trauma por uma tentativa de abuso sexual, aos 14 anos, praticada pelo parente Magid Láuar (desembargador, hoje encrencado com questões parecidas), decidiu não se omitir, quebrando o silêncio agora.

Como sempre, em nome do bom senso, deve valer o equilíbrio entre o que contar a todos e o que guardar para si. E eis que estudos recentes ligados ao tema demonstram que guardar sentimentos, conquistas e novidades para si mesmo(a) tende a produzir um imenso bem, sobretudo quando são segredos positivos. Para muitos, difícil, por exemplo, é segurar a ansiedade guardando segredo ante a expectativa de uma promoção no trabalho ou da realização de uma viagem dos sonhos. Vai que nada disso acontece e, se acontece, não tem que ser, necessariamente, do conhecimento geral.

Há segredos e segredos. Segundo a avaliação preciosa do escritor, filósofo e missionário português Antônio Vieira (1608-1697), “o segredo encomendado à memória corre perigo, o segredo encomendado ao esquecimento está seguro”. Bem antes do Padre Vieira, Sêneca (4 a.C.-65 d.C.), filósofo dos tempos romanos, já aconselhava: “Se queres teus segredos guardados, guarda-os tu mesmo”. Vindas de quem vieram, assim como certos segredos, essas palavras têm peso. A refletir.

Conectados/Desconectados

25 de Fevereiro de 2026, por Regina Coelho 0

Numa das filas dos caixas do supermercado, já perto de ser atendida, aguardo a vez de pagar as compras, quando, na minha frente, um senhor tira de uma bolsa um talão de cheques, destaca dele uma folha e, por alguma possível dificuldade em preenchê-la devidamente, pede à moça que o atende que faça isso por ele. Ela, mocinha ainda, meio constrangida e em resposta ao pedido dele, afirma não saber fazer aquilo e sai do caixa em busca de ajuda. O dono do cheque se volta então para mim e, mais constrangido ainda, me diz: “eu sou mesmo um bobão, não faço Pix, não uso cartão porque tenho medo, acho perigoso”. Respondo a ele que também ainda uso cheque (pouco, é verdade) e que lhe dou razão quanto à insegurança que tem em usar formas mais modernas de fazer seus pagamentos.

É que quanto a isso, a esse, digamos, certo distanciamento de algumas inovações tecnológicas, tenho um lado parecido com o desse senhor, não exatamente por medo, mas por falta de vontade. Tanto que, por exemplo, somente no ano passado aderi ao Pix. E ainda assim, movida por uma necessidade. Entre os preparativos de uma viagem fora do país, o item dinheiro estrangeiro a ser levado foi uma preocupação que deixei de ter ao fazer a solicitação do cartão físico/digital da Wise, empresa que atua no mercado de câmbio fazendo a troca de moedas diretamente por um aplicativo do celular. E dessa maneira, incentiva o uso de uma chave Pix própria para o recebimento de transferências diretamente na conta. Daí o meu Pix, para esse meu específico caso, sem a precisão da compra física de dólares e, consequentemente, do incômodo da doleira na cintura, com a grana toda, durante a viagem.

Interessante é que, diferentemente do que possa sugerir, essa pequena palavra de três letras não é uma sigla. De acordo com o Banco Central, esse meio de pagamento foi assim batizado porque o termo lembra tecnologia, transações. E pixels, ou seja, os pontos luminosos de uma tela. Idealizado em 2016 pelo BC do Brasil e lançado oficialmente em 16 de novembro de 2020, tornou-se uma ferramenta significativa de uso diário para milhões de brasileiros. E tome Pix! Pra cá e pra lá, pra tudo, de todos os valores. Muitas vezes com o uso do QRCode (Quick Response Code), terminologia técnica traduzida para o português como Código de Resposta Rápida, um tipo de código que armazena informações e é lido rapidamente por câmeras de celulares.

Uma outra boa sacada é o WhatsApp. O nome é um trocadilho formado com a junção da expressão informal em inglês “What’s up?”, cuja tradução é algo como “E aí?”, “Qual é?” com App (abreviação de Application/ Aplicativo), ou seja, Whats+App. Isso posto, voltemos a esse bem-sucedido recurso de comunicação instantânea disponível para certos tipos de celular. Usado por bilhões de pessoas em mais de 180 países, por aqui costuma ser chamado com intimidade por seus usuários de Zap ou Zap Zap. E graças às mensagens de texto e de áudio, às ligações de voz e chamadas de vídeo que ele possibilita, já ultrapassou na preferência as ligações telefônicas tradicionais.

De conhecimento mais restrito é a denominação PDF (Portable Document Format/ Formato de Documento Portátil), que, conforme diz o nome, é um formato de arquivo usado para apresentar e compartilhar documentos de modo seguro e integral.

Pix, QRCode, WhatsApp, PDF... Incorporados naturalmente à língua, esses e outros neologismos criados em todas as áreas do conhecimento refletem a existência de novas tecnologias e manifestações culturais e de novos comportamentos sociais.

Retomando a cena narrada na abertura desta matéria, digo remotamente daqui àquele senhor que bobão ele não é. Certamente é um trabalhador. E o essencial para pagar suas contas – o dinheiro – não deve lhe faltar, certamente também adquirido honestamente.

O mundo digital é uma realidade importante hoje. Numa sociedade tão desigual como a que temos no país, no entanto, conectar-se ou não a ele é uma questão de cada pessoa.