Largada para 2015
13 de Janeiro de 2015, por Regina Coelho 0
Para começar bem este ano, minha dica passa pela leitura do que segue escrito abaixo em dois textos que se aproximam pelo conteúdo. Numa mistura compatível de sonho e realidade, o que ambos apresentam como proposta de uma vida feliz parece possível.
Felicidade realista
...De norte a sul, de leste a oeste, todo mundo quer ser feliz. Não é tarefa das mais fáceis.
A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.
Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis.
Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica, a bolsa Louis Vuitton e uma temporada num spa cinco estrelas.
E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.
É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Por que só podemos ser felizes formando um par, e não como ímpares? Ter um parceiro constante não é sinônimo de felicidade, a não ser que seja a felicidade de estar correspondendo às expectativas da sociedade, mas isso é outro assunto. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum.
Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.
Dinheiro é uma bênção. Quem tem precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.
Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno.
Olhe para o relógio: hora de acordar.
É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça de que a felicidade é um sentimento simples. Você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes que nos atormentam e provocam inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade.
(Martha Medeiros)
O sonho
Sonhe com aquilo que você quer ser,
porque você possui apenas uma vida
e nela só se tem uma chance
de fazer aquilo que quer.
Tenha felicidade bastante para fazê-la doce.
Dificuldades para fazê-la forte.
Tristeza para fazê-la humana.
E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas.
Elas sabem fazer o melhor das oportunidades
que aparecem em seus caminhos.
A felicidade aparece para aqueles que choram.
Para aqueles que se machucam
Para aqueles que buscam e tentam sempre.
E para aqueles que reconhecem
a importância das pessoas que passaram por suas vidas.
(Clarice Lispector)
No poema abaixo, a essência e a beleza dos versos enxutos de Manoel de Barros (1916-2014) são um irrecusável convite à contemplação de suas palavras, nada “desimportantes”.
O apanhador de desperdícios
Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios.
Amo os restos
como as boas moscas.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.
(Manoel de Barros)
Uma grande família
17 de Dezembro de 2014, por Regina Coelho 0
Uma característica muito interessante observada no interior, principalmente nas cidades menores, é a identificação das pessoas seja pela profissão que exercem, pelo lugar onde trabalham ou pela relação de parentesco com alguém, digamos, teoricamente mais conhecido. Com interesse principal da presente matéria voltado para as ligações familiares, o “ponto” de referência em questão atende pelo nome de Pedro Olímpio, que congrega em torno de si os membros de uma numerosa família constituída originalmente em Resende Costa.
O começo de tudo pode ser registrado por volta de 1920 com o casamento entre Tarcília Maria de Jesus e Pedro Olímpio de Resende. Ela, nascida no Sítio da Tapera (na Restinga). Ele, no Sítio do Curtume (no povoado dos Pintos), onde o casal deu início a uma vida comum repleta de desafios ao longo dos anos. Dos dezenove filhos, frutos do mesmo pai e da mesma mãe, dois (Murilo e Sebastião) morreram ainda recém-nascidos. Vieram então Maria Conceição, José Vitorino, as gêmeas Antonieta e Marcilieta (esta última, viva), Antônio Raimundo, Laudinor, Anésio, Pedro (já falecidos). E Elói, David, Tarcísio, Gabriel, Guilhermina (falecida), Vantuil, Francisco, João Bosco e Lauro (este último, falecido).
No comando de tudo, o pai lavrador e a mãe dona de casa, com a ajuda dos filhos, enfrentavam a lida difícil da roça. Em época de plantação de mandioca, faziam mutirão. Construíam um rancho na lavoura e lá permaneciam a semana toda, só voltando para casa no sábado, quando o pai, do alpendre, contava os filhos para ver se não faltava ninguém. Eram dez os que trabalhavam no roçado, sendo Gabriel e Francisco os cozinheiros da turma. Em casa, Guilhermina e Marcilieta ajudavam nos afazeres. Os outros, já casados, não mais moravam com os pais. Em outras funções, quatro filhos trabalhavam nos dois carros de boi da casa, enquanto outros dois ralavam mandioca e os demais iam para a roça arrancar o tubérculo que era usado também na produção de polvilho. E havia ainda o açúcar mascavo produzido por eles.
Entre as situações envolvendo o cotidiano dessa grande família, há doces lembranças, como as épocas de frio, quando era colocado na cozinha, sobre uma pedra, fogo para aquecer o ambiente. Era o momento em que contavam os casos da semana. Em seguida, todos rezavam juntos o terço e iam dormir. Com tanta gente em casa, natural que dormissem dois em cada cama sobre colchões de palha. Uma outra necessidade era providenciar as vestes usadas pela prole. Para fazer as roupas, que eram confeccionadas pela própria mãe, o pai comprava uma peça de pano e era tudo feito igual para todos. Em cada camisa, ela colocava apenas três botões. E como era comum na época, apesar de trabalharem duro, os filhos não tinham dinheiro no bolso, por isso sempre que iam a festas nas capelas, levavam a “matula” (lanche) de casa. De novo, a mãe é lembrada, desta vez pela presteza ao fazer colchão e travesseiro de taboa como parte do enxoval que eles levavam para a nova casa, assim que se casavam.
Nessa história de tantas lembranças, uma delas é especialmente triste. No final da década de 20, estando Tarcília e Pedro em visita aos pais dela, eles foram surpreendidos pela notícia de um incêndio na casa onde moravam. Foi um tempo difícil de reconstrução para eles. E a vida seguia seu rumo com momentos de muita alegria também. Pedro Olímpio gostava de tocar sanfona quando o tempo estava bom e no casamento dos filhos, ocasião em que fazia quadrilha para comemorar cada enlace. E havia festa com almoço ou jantar que se estendia por toda a noite.
Quando o senhor Pedro Olímpio morreu, em novembro de 1962, os filhos mais velhos já estavam casados. Os mais novos passaram a tomar as decisões necessárias relacionadas à família juntamente com dona Tarcília, que faleceu em junho de 1991. As novas famílias que se formaram a partir dos dois compreendem hoje uma descendência direta que apresenta números impressionantes. Aos filhos do casal juntam-se hoje 108 netos, 198 bisnetos e 58 trinetos. Isso sim é uma grande família, algo impensável para os novos tempos que vêm chegando.
Mesmo tendo transcorrido tanto tempo sem a presença física do homem cujo populoso clã leva seu nome, é costume em Resende Costa, por qualquer razão que seja, as pessoas situarem alguém dessa família pelo contexto familiar (como de praxe) dizendo: “É gente do Pedro Olímpio”.
E como já é Natal, que o espírito dessa data seja uma boa oportunidade para que nossos vínculos de afeto possam ser fortalecidos em família, aqui entendida com todos os seus significados. Boas Festas! Até 2015!
NOTA: Na produção desse texto, contei com a colaboração fundamental da Marli (filha do Lauro do Pedro Olímpio) e do Francisco (do Pedro Olímpio), a quem agradeço as informações a mim repassadas.
Para lembrar Cecília
13 de Novembro de 2014, por Regina Coelho 0
“Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte do meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno (...) Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção ou sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento da minha personalidade. (...) minha infância de menina sozinha deu-me duas coisas que parecem negativas, e foram sempre positivas para mim: silêncio e solidão.”
O texto autobiográfico acima é de Cecília Meireles (7/11/1901 – 9/11/1964), menina criada pela avó materna (açoriana), por ser a única sobrevivente em uma família de quatro filhos.
Ao concluir o curso primário em 1910, na Escola Estácio de Sá (Rio), a aluna Cecília recebeu de Olavo Bilac, então inspetor escolar do Distrito Federal (à época, o Rio de Janeiro), medalha de ouro por ter feito todo o curso com “distinção e louvor”. Na mesma ocasião, começou a estudar poesia, tendo publicado seu primeiro livro, Espectros (um conjunto de sonetos simbolistas), em 1919, aos dezoito anos.
Diplomando-se professora, passou a exercer o magistério em escolas primárias públicas da antiga capital do país. Paralelamente, começou a escrever na imprensa carioca, tendo atuação destacada como jornalista, com publicações diárias, principalmente sobre problemas ligados à educação, área à qual sempre se manteve ligada, aposentando-se em 1951 como diretora de escola. A propósito, deve-se a ela a criação da primeira biblioteca infantil do Brasil.
Mulher de múltiplos talentos, Cecília realizou inúmeras viagens aos Estados Unidos, à Europa, à Ásia e à África fazendo conferências sobre folclore, educação e literatura, em cujos estudos se especializou. Gostava de dizer que não era turista, e sim viajante – pelo desejo de “morar em cada coisa e descer à origem de tudo”. Trabalhou também como produtora e redatora de programas culturais na Rádio Ministério da Educação (Rio). E lecionou nas Universidades do Distrito Federal (hoje UFRJ) e do Texas (EUA). Premiada como poeta e tradutora, recebeu inúmeras honrarias no Brasil e no exterior. Artista da palavra por excelência, teve grande parte de sua obra traduzida para várias línguas e musicada por gente como Chico Buarque, que usou trechos do Romanceiro da Inconfidência (romanceiro: narrativa rimada), recriação poética sobre a Inconfidência Mineira, para compor o tema da peça Os inconfidentes, com direção de Flávio Rangel. Outro “parceiro” de Cecília Meireles é Fagner, que musicou Canteiros e Motivos. Este último poema integra o livro Viagem, com o qual, segundo Mário de Andrade, ela passaria a se firmar entre os maiores poetas nacionais. Ressalte-se que, por essa obra, a concessão pela Academia Brasileira de Letras do Prêmio de Poesia Olavo Bilac à Cecília rendeu-lhe críticas de alguns modernistas, entre eles do próprio Mário, por acharem que ela havia se curvado ao conservadorismo (que eles atacavam) da ABL. Coisa de quem não perdoava o fato de ela nunca ter feito parte da vertente mais radical do Modernismo. Mas o elogio de Mário de Andrade à poeta Cecília Meireles é definitivo.
Definitiva também é sua presença na memória afetiva de gerações de leitores através de seu sempre lembrado Ou isto ou aquilo, poema que dá nome ao livro publicado pela primeira vez em 1964, com sucessivas publicações para o encantamento de crianças e adultos. Reconhecer Cecília Meireles, no entanto, simplesmente como autora de obra infantil (sem desmerecer os pequeninos, muito pelo contrário) não faz justiça a tudo o que ela representa para o país como escritora, pensadora e cidadã.
Hoje, passados exatos cinquenta anos de sua morte, entidade com a qual manteve “uma tal intimidade” precoce, é importante lembrar Cecília, a alta qualidade de sua obra literária e algumas belas palavras nascidas de sua mente brilhante.
“Aprendi com as Primaveras a me deixar cortar para poder voltar sempre inteira.”
“Não sejas o de hoje. Não suspires por ontens. Não queiras ser o de amanhã. Faze-te sem limites no tempo.”
“Se você errou, peça desculpas... É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?”
“Há pessoas que nos falam e nem as escutamos, há pessoas que nos ferem e nem cicatrizes deixam, mas há pessoas que simplesmente aparecem em nossas vidas e nos marcam para sempre.”
PS: Dedico o presente e coincidentemente apropriado artigo ao Evaldo, meu ex-aluno, hoje colega e amigo querido, por mais uma significativa conquista em sua corajosa e bem sucedida trajetória literária – a indicação de seu nome como um dos três finalistas ao 1º Prêmio Saraiva de Literatura – categoria Romance, com o livro Os fios de Ícaro. Méritos ao agora também romancista, um talento de Resende Costa a serviço de nossas letras.
Mestres da arte e da vida
17 de Outubro de 2014, por Regina Coelho 0
Professar e professorar são verbos registrados nos dicionários com várias acepções. A mais comum é a que define esses termos como “trabalhar como professor, ensinar, lecionar”. Com esse sentido, há muita gente trabalhando por aí, desde os convencionais profissionais da educação, passando pelos instrutores que dão aulas de informática, de artes marciais, de natação, de pintura, de costura e uma infinidade de outras práticas. E essa onda chegou aos clubes e estádios de futebol do Brasil, onde o técnico é respeitosamente chamado de professor por seus comandados.
Um giro em algumas áreas do entretenimento revela como e o quanto a figura desse profissional é representada no exercício de seu ofício. Criaturas ficcionais nascidas de criadores, situações e momentos tão diversos, os professores aqui selecionados formam um “corpo docente”, no mínimo, bastante eclético.
Pra começar, quem não se lembra, por exemplo, de um certo professor de voz rouca, aquele do “vapt vupt” ou do “E o salário, ó!”? A criação do programa de humor Escolinha do Professor Raimundo, em 1952 pelas mãos de Haroldo Barbosa para a Rádio Mayrink Veiga fez surgir o talento de Chico Anysio na composição de Raimundo Nonato. Ganhando versão para a tevê (TV Rio) em 1957, dentro do programa Noites Cariocas, o formato solo, já na Globo teve estreia em 1990. Nele, tipos variados de alunos em salas de aula comandada pelo amado mestre de Rolando Lero (personagem do saudoso Rogério Cardoso) garantiram a diversão do público até 2001. Vem do seriado Chaves o romântico professor Girafales. Eterno pretendente de Dona Florinda, ele foi interpretado por Rubén Aguirre Fuentes, ator mexicano, hoje adoentado e afastado do trabalho.
Saindo dos humorísticos, a professora Clotilde também deixou sua marca. Interpretada por Maitê Proença na novela O Salvador da Pátria (1989), de Lauro César Muniz, ela é uma professora universitária que, em contato com analfabetos para desenvolver sua tese, envolve-se com um deles, o boia-fria Sassá Mutema (Lima Duarte), que também se encanta por ela. Igualmente encantadora, a professora Helena (Gabriela Rivero), de Carrossel (versão original mexicana exibida em 1989) é a perfeição em pessoa junto a seus alunos com seu jeito doce, amoroso e conciliador.
Ainda na televisão e infelizmente sem grandes números na audiência, o excelente Rá –tim-bum, programa infantil levado ao ar pela TV Cultura entre 1990 a 1994 tem no professor Tibúrcio (Marcelo Tás) sua figura central. Ao conclamar seus alunos para a aula usando seu bordão Olá, classe!, ele personifica o professor nada convencional que ensina a eles de maneira lúdica noções de higiene pessoal, ecologia, cidadania, português e matemática.
Da literatura infantil brasileira duas professoras se destacam. Uma delas é Dona Cecília Paim, personagem de O Meu Pé de Laranja Lima, um clássico infantil das nossas letras, de José Mauro de Vasconcelos, publicado em 1968. Considerada feia, Cecília nunca recebia flores dos alunos, mas, bondosa e sensível, conquista o coração do menino Zezé (o protagonista da história), que passa então a lhe oferecer diariamente uma flor roubada de certa casa, detalhe descoberto mais tarde por ela. Uma bonita troca de afetos esse momento. Já da cabeça maluquinha de Ziraldo saiu a professora Maluquinha (Uma Professora Muito Maluquinha, 1995). Com seus revolucionários métodos de ensino, ela transforma em brincadeira suas aulas e defende a leitura como instrumento principal para o conhecimento do mundo. Sábia maluquinha ela, não?
Criado em 1952 pelo desenhista Carl Barks para a Walt Disney Company, o professor Pardal é o representante animal dessa relação de “teachers” (professores). Na verdade, ele é um galo antropomorfo, ou seja, com forma de humano. Como inventor da fictícia Patópolis, é meio atrapalhado, sendo quase sempre salvo de suas experiências nem sempre bem sucedidas por seu simpático assistente Lampadinha, amigo eletrônico inventado pelo famoso professor.
Dos gibis para o cinema, entra em cena o professor John Keating. No belíssimo filme Sociedade dos Poetas Mortos (de 1989, dirigido por Peter Weir), é Robin Williams, um dos maiores artistas dos últimos tempos, falecido em agosto último, o responsável por dar vida a esse professor de inglês e literatura nem um pouco tradicional. Chamado de meu capitão pelos alunos, pela forma como eram conduzidos a buscar a luz do saber, Mr. Keating inspira-os a perseguir suas paixões individuais e a fazer de suas vidas uma coisa extraordinária. Grande inspiração para todos nós esse seu olhar sobre a existência humana.
Realidade de volta, lembremos os bons professores de cada dia, de todos os tempos, de perfis tão diversificados, em todos os lugares, para sempre lembrados na memória dos que se reconhecem transformados pela orientação segura de seus mestres.
Conjurados – 50 anos – Não posso perder a oportunidade de me juntar àqueles que comemoram neste mês de outubro os 50 anos de existência da Escola Municipal Conjurados Resende Costa. Nela vivi inesquecíveis anos como aluna, voltando a ela tempos depois para iniciar minha vida profissional como professora, aí permanecendo por muito tempo. Sou, portanto, prata da casa, orgulhosa dessa condição.
De tradição cinquentenária, a E. M. Conjurados desempenha no município um trabalho fundamental na área da educação sendo também referência afetiva na vida de muitos resende-costenses que construíram com ela belas histórias.
Nos corredores do consumo
17 de Setembro de 2014, por Regina Coelho 0
Ir com frequência a supermercados é uma tarefa a que se entrega muita gente. Faço parte desse grupo. E da mesma forma que tenho a ginástica e a caminhada como atividades externas de rotina, pratico também compras para o lar. Longe de ser uma inveterada consumista, não me livro, no entanto, de ter sempre de comprar alguma coisa nesses mais do que nunca verdadeiros templos do consumo. É que, além do que é comprado regularmente, a gente não consegue escapar de ir atrás daquele item que faltou na lista ou que já foi consumido e deixamos de repor e que pode nos fazer falta a qualquer hora. Afinal, prevenir é melhor. O problema é que ter a despensa totalmente abastecida pode exigir idas e mais idas ao supermercado.
Ser frequentador desse tipo de espaço envolve algumas vantagens. Pra começar, a intimidade física com o lugar encurta caminhos entre os corredores, já que a pessoa sabe exatamente onde fica o que vai comprar, fator que propicia ganho de tempo. Outro ponto a destacar nessa busca quase diária por alguns poucos produtos é que é possível, ou melhor, é certo encontrar novidades e promoções. Aí, fica difícil resistir à tentação de comprá-las e quase sempre a gente sai carregando mais coisas do que o pretendido inicialmente. Há ainda uma situação bastante interessante nisso tudo, principalmente em se tratando de compras de muitos artigos, o que requer mais tempo, favorecendo assim a conversa com os outros que estão próximos de nós, sejam eles também clientes ou funcionários da casa. Nessa hora inevitável de empurrar o carrinho e escolher os produtos que serão comprados, muita prosa boa acontece, sem necessariamente envolver conhecidos entre si.
Assunto, aliás, é o que não falta nesses momentos vividos entre bancas e mais bancas de frutas, verduras e legumes; entre gôndolas e mais gôndolas confundindo às vezes os olhos pela variedade de mercadorias com seus preços, rótulos e formatos igualmente variados. Na pauta do que é conversado, não faltam comentários sobre os preços e as altas de certos produtos bem como as qualidades de determinadas marcas. Sobre esse último aspecto, é curioso observar como as pessoas propagam suas marcas preferidas. Trata-se da famosa e eficiente propaganda de boca, ela sim, nada enganosa, pois é resultado do que já foi testado e aprovado. Além de tudo, é gratuita. Para o fabricante, é claro. Dependendo da prosa, muitas vezes influenciada pela proximidade com os produtos expostos, surge a oportunidade de alguém ao lado da gente sugerir ou receber uma receita de bolo, doce ou pão de queijo, por exemplo. Dicas ligadas à saúde podem significar a compra imediata de certos itens apregoados como excelentes para combater isso ou aquilo. Afinal, não nos custa nada levá-los para casa e experimentá-los.
Saindo do âmbito das compras propriamente ditas e das conversas que elas sugerem, pode-se dizer que o supermercado é lugar certo para os encontros casuais porque, além das pessoas que a gente encontra constantemente, há aquelas com quem surpreendentemente nos deparamos e não víamos há tempos. Sendo alguém ligado a nós, pronto! É papo na certa, com casos e mais casos contados de lado a lado. Na distração ou no entusiasmo do momento, vale até esquecer por um instante o principal motivo da nossa presença naquele lugar para encontrar pessoas queridas, entre as muitas que circulam pelas dependências do estabelecimento.
E onde grupos se formam, notícias frescas se espalham com rapidez. Não faz muito tempo, ocupada com a escolha de determinado produto, fui surpreendida por alguém ao me tocar o ombro para sussurrar em primeiríssima mão que Fulana de tal havia acabado de morrer. Levei um susto daqueles não exatamente pela notícia recebida que, de certa forma e infelizmente, já era esperada. Estranhei o jeito como fui abordada, quase como uma necessidade dos que não conseguem deixar de passar pra frente qualquer informação que seja.
Pensando bem, os supermercados atuais representam muito mais do que simples centros de abastecimento. De uns tempos para cá, fortalecidas com a prestação de variados serviços de atendimento ao consumidor em suas áreas de cobertura, essas casas de comércio pouco lembram os antigos armazéns (ou os quase saudosos secos e molhados) com seus fregueses atendidos exclusivamente no balcão. A propósito, independência, por exemplo, é a palavra-chave ligada à clientela de hoje, que se movimenta enquanto faz suas compras e imprime seu próprio ritmo nessa tarefa, com liberdade para checar os objetos de seu desejo e decidir, sem a influência de terceiros, pelo que será levado para casa. Nesse mexe e remexe de mãos consumistas, muita mercadoria muda de prateleira, eufemismo para bagunça provocada por clientes em certas partes do supermercado. E quem é que, diante de tanta movimentação, não se viu em apuros com a perda (momentânea, quase sempre) de objetos pessoais como óculos, celular, chaves e até carteiras?
Tudo tão prático, tão rápido hoje! E muito consumismo na ordem do dia.
Em festa - Líder de um clube de meninas, Luluzinha é uma personagem de histórias em quadrinhos e desenhos animados criada nos EUA em 1935. Ao longo dos anos, seu nome saltou da ficção para virar sinônimo de tudo o que se relaciona ao mundo feminino. Surgiu daí a inspiração para ser batizado de “Turma das Luluzinhas” um grupo de amigas que passou a se encontrar em alegres e festivas ocasiões em que se celebra a oportunidade feliz de estar bem entre pessoas queridas. Passados exatos 10 anos da criação da turma, não pode faltar comemoração.
Vivas a nós, mulheres de histórias tão diversas, pelo afeto que nos une. Diferentemente da Little Lulu (Luluzinha) – criação de Marge Buell – sempre em guerra com o Bolinha, seu contraponto masculino, não queremos disputar com os homens o que pode ser parceria entre pessoas. Só queremos seguir Vinícius de Moraes, para quem “a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”. É isso aí, Poetinha! Parabéns, Luluzinhas! E que haja pela vida muitos outros bons encontros entre nós.