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Carta aos eleitos de Resende Costa

16 de Outubro de 2012, por João Magalhães

Respeitáveis eleitos,

Aurélio Suenes, prefeito,

Toninho Ribeiro, vice e vereadores, Zinho Gouveia doutor Luiz, Joãozinho do Antônio Dias, Abel do Nenego, Betinho, Lucas do Barriga, Ângelo do MAC, Paulinho Daher e Chiquinho do Cajuru:

É filosofia desta coluna, dialogar com os leitores sobre assuntos de relevância, sobretudo quando se revestem de aspectos polêmicos. Hoje, porém, a importância do cargo que assumirão, motiva a ocupação deste espaço para uma saudação a vocês, acompanhada de um anseio, que sinto não ser só meu, pois, no debate, via rádio, do dia 22 de setembro de 2012, houve pergunta de cidadãos sobre o assunto.

Não importam agora os motivos pelos quais seus nomes e os de suas coligações ou legendas foram clicados nas urnas: votos de fé em propostas, votos de gratidão por algum benefício, votos de amizade, votos de família, votos por carisma, votos-protesto, votos-mudança etc. Não importa. O que vale agora é que vocês venceram e vão aqui os devidos parabéns.

Para nós eleitores, agora, acende-se a vela da esperança. Os planos que nos foram apresentados como estratégia de campanha, motivação de fé, perspectivas de melhora, fomento de utopias, agora necessitam de fecundação, concepção, geração e nascimento.

Por óbvio, não falo das prioridades do sempre: saúde, segurança, educação, transporte... São alicerces sociais que jamais podem se abalar, ceder, afundar. Falo de umas sementes que recentemente em campanhas eleitorais foram escolhidas para plantio, mas que não se plantaram. Serão agora?

A Mãe Natureza deixou quatro filhas em Resende Costa: as três lajes e a capoeira (ou o bosque). Uma dessas filhas, infelizmente, deixamos morrer: a laje da cadeia, ou laje do meio, como se fala. Suas duas irmãs, a de cima e a de baixo, há muito, estão doentes... Pedem socorro. A esperança quanto ao “tratamento” da laje de cima permanece, pois, ainda há gente preocupada com ela. E a de baixo, tão bela como sua irmã de cima? 
Este é nosso anseio, este é o nosso pedido. Alguém de vocês, ou todos vocês, zelem por ela. Grafei “nosso” porque a memória me leva para lá, junto com o bando de meninos do Assis Resende, para soltar estrela, numa competição para ver quem fazia a mais bonita (éramos nós quem fazia), ou quem soltava mais alto, sem o maldito cerol, finalmente proibido.

A arquitetura moderna tem conseguido maravilhas de criatividade, sem machucar o meio ambiente. Será que um projeto bem elaborado não transformaria nossa laje de baixo num excelente espaço público, por sua amplidão e beleza paisagística?

Uma segunda aspiração. Há um livrinho infantil (do nosso escritor mineiro Wander Piroli, “coleção do Pinto”- BH) de belo título: “Os rios morrem de sede”.A fonte que nasce em nossa capoeira (ou bosque) já morreu de poluição. Sua mãe, a capoeira Nossa Senhora da Penha, morre por mutilação, descuido e abandono. Que cidade de nossa vasta região tem o privilégio de ter em seu centro expandido, um bosque nativo, original, tão ameno e acolhedor?

Poderia ser o nosso orgulho! Poderia ser o nosso parque municipal!

Há um justo desejo de cada administração de deixar seu nome gravado na História por alguma(s) obra(s) marcantes de sua gestão. A criação e construção do Parque Municipal e a urbanização de nossas lajes não podem ser essas marcas de seus mandatos?

Este apelo vai, claro, primeiro para o senhor prefeito, chefe do executivo. Sem seu empenho, gora tudo. Mas foi pensando na importância de uma câmara de vereadores – casa-fonte de leis, com poder, portanto, para mexer profundamente na vida do município; casa-tribunal, com poder de julgar a atuação dos executivos; casa-ouvidoria, que deve incorporar reclamos e anseios dos munícipes – que o apelo vai também a vocês, e com igual intensidade.

Uma câmara de qualidade garante um governo de qualidade!

Senhores vereadores, a forte esperança e a grande confiança é que o mandato que a votação lhe concedeu seja uma missão. Frequentemente na Bíblia, nome é sinônimo de missão.
Vocês são edis. Do latim “edilis” significa “comestível”, cargo, na Roma antiga, dos responsáveis pelo atendimento da população, sobretudo, alimentação e pelo zelo dos bens públicos.

Vocês são vereadores. Do português arcaico, “verea” significa “vereda”, por conseguinte responsáveis por abrir novos caminhos, novas perspectivas para a população.

E termino “estas mal traçadas linhas” renovando os parabéns. Resende Costa tem um orgulho. Há anos, não há notícia de administradores e legisladores enodoando sua bandeira com comportamentos que escalavram a ética e moral públicas, como peculato, roubo, desvios, malversação, dilapidação de dinheiro público, falcatruas, “maracutaias”.  É honra para nós. Até agora não existiu aqui o que se vê tanto por aí.

Que todos vocês saiam “candidatos” no fim do período no sentido etimológico do termo “candidatus”: vestido de branco (de “candidus”, alvo, brilhante). Críticas virão e devem, mas que sejam tão somente quanto a prioridades, características de pessoa, modo de governar, ideologias, trato com o cidadão, projetos etc..

Com vocês a bandeira da ética continuará tremulando nas infindáveis colinas e montes da nossa Resende Costa!
Parabéns!
 
Loas e Lástimas
*Loas para Lar São Camilo, pelos cuidados de excelência aos idosos, lá acolhidos. E também para o nosso Movimento da Terceira idade.
*Lástimas para nosso Estado de Minas Gerais. A violência contra o idoso cresceu 204% em relação a 2011. Segundo a Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, Minas ocupa o quarto lugar no ranking, atrás apenas do Rio de janeiro, São Paulo e Bahia.

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