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Confabulando: fábulas para um diálogo

13 de Agosto de 2012, por João Magalhães

Ilustração - Danilo Magalhães

Os lambaris e as minhocas

Desde a infância, as fábulas sempre me atraíram. Cheguei a decorar algumas delas, até em latim. Do famoso Lupus et Agnus de Fedro,  lembro-me até hoje.  Li e colecionei todas que encontrei.

Depois, como professor, vi nelas um excelente instrumento para criação de hábito de leitura, pois são pequenas histórias, muitas vezes até  escritas em verso, caso de Fedro e La Fontaine.  Em sua maioria, são joias literárias que costumam agradar crianças e adultos.

Encontrei nelas, também, uma forma excelente para debate de situações e comportamentos, pois este é o intento delas, ou seja, sempre finalizam com uma moral, implícita ou explícita. Vem daí a expressão muito usada“Moral da fábula”.

Igualmente excelente, para análise de pessoas e personalidades, pois, embora quase sempre as personagens sejam animais e/ou objetos, comportam-se sempre a modo dos humanos.

Como o espírito desta coluna é dialogar sobre assuntos que julgo importantes, sobretudo os controversos, mas não exclusivamente - e sempre suscitando uma posição também opinativa do leitor - quando o assunto o permitir, usarei como instrumento para a conversa, alguma das fábulas que com o tempo fui criando e escrevendo. Espero que agrade. 

A corrida aos votos já começou e, como sempre, vem o comércio, a compra e venda, às vezes baratíssima, de sua mercadoria mais valiosa: o voto. O individualismo, o interesse imediato, um consumo de agora, frequentemente levam pessoas a negociar seu clique na urna eletrônica, por saco de cimento, bola de futebol, trechinho de estrada, alguma sinecura... e assim vai. Compete a nós não deixar que o “como sempre” vire “para sempre”.

 
Vamos à fábula
 
   Lançadas num lago e presas respectivamente no anzol de dois pescadores, duas minhocas debatiam-se, desesperadamente.
   Enxergando dois lambaris que nadavam velozmente em sua direção, gritaram aflitas:
   - Salvem-nos!  Não nos engulam! Vocês não se arrependerão!
   Que nada! O primeiro lambari abocanhou uma delas num segundo, e no minuto seguinte já estava morrendo com as guelras dilaceradas, no balde do pescador.
   O outro lambari teve um momento de compreensão, ouviu a minhoca e com cuidado, delicadamente, tirou-a do anzol, salvando-a da morte.
   Até hoje vive feliz, nadando tranquilo nas águas do lago!

 
Moral da fábula
 
“O egoísmo, o individualismo exacerbado, a gana precipitada de realizar seus interesses imediatos, sem ouvir o que o outro tem a dizer, podem levar à infelicidade e até à morte”.
  
É o que penso. E você?

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