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Homenagem a uma mulher pioneira e pouco conhecida

25 de Setembro de 2024, por João Magalhães

Trata-se de Júlia Lopes de Almeida, que há 90 anos nos deixou, pois faleceu no Rio de Janeiro em 1934. Pioneira por vários aspectos. A escritora, que recebeu uma educação liberal, com o apoio do pai, aos 19 anos de idade já escrevia para A “Gazeta de Campinas”, atividade intelectual incomum para as mulheres da época, uma vez que era monopolizada pelos homens.

Júlia Lopes de Almeida, filha de portugueses ricos e cultos, nasceu em setembro de 1862 no Rio de Janeiro. Cedo começou a escrever para vários periódicos, publicar livros de romances e de poemas, o que mostra bem seu pioneirismo. Seu primeiro livro foi:  “Traços e iluminuras”.

 Foi a única mulher entre os idealizadores da Academia Brasileira de Letras. Apesar disso, foi impedida de ocupar uma cadeira nessa instituição. O lugar foi ocupado pelo escritor português Filinto de Almeida (1857-1945), com o qual havia se casado.

A ABL do Brasil seguia as normas que regiam a Academia Francesa, que não admitia mulheres. Graças a Deus, essas normas mudaram. A primeira mulher a ocupar uma cadeira na ABL brasileira foi Rachel de Queiroz, em 1977. Hoje é uma prática comum. Que o digam Fernanda Montenegro, Lilia Moritz Schwarcz e a falecida Nélida Piñon. Podem ocupar até a presidência. Caso de Nélida Piñon (1996-1997) e Ana Maria Machado (2012-2013).

Outro pioneirismo: suas ideias avançadas para a sua época, já que defendia a abolição da escravatura, a república, o divórcio, a educação formal de mulheres e os direitos civis.

Júlia Lopes de Almeida é associada ao realismo e ao naturalismo. Sua obra mais conhecida — “A falência” (1901) — é marcada pela objetividade, crítica à sociedade brasileira, temática do adultério e determinismo. Assim, a contista, romancista, cronista e dramaturga teve relativo sucesso em sua época, antes de falecer em 30 de maio de 1934, no Rio de Janeiro.

Sua primeira obra publicada, como mencionado mais acima, foi “Traços e iluminuras”. Foi publicada pelo poeta português Filinto de Almeida, seu marido. Ela estava com 24 anos!

Outra prova de seu pioneirismo: quando se mudou para Lisboa, em Portugal, publicou, em coautoria com a irmã, a escritora Adelina Lopes Vieira (1850-1923), um livro de contos infantis. Por isso, é considerada uma pioneira da literatura infantil brasileira.

Durante muito tempo, o sensacional Monteiro Lobato foi considerado pioneiro. Discordo. Foi Júlia Lopes de Almeida.

A contista, romancista, cronista e dramaturga Júlia Lopes de Almeida retornou ao Brasil em 1888. Mas, décadas depois, de 1913 a 1918, morou novamente em Portugal. E, de 1925 a 1931, fixou residência em Paris. Morreu no Rio de Janeiro, em 30 de maio de 1934, vítima de malária, possivelmente contraída em sua recente viagem à África, deixando uma obra de autoria feminina extensa e não só literária, mas também historicamente significativa.

Escreveu para periódicos, como “A Mensageira”, “Única”, “O Quinze de Novembro”, “Kosmos”, “O País”, “A Gazeta de Notícias”, “A Semana”, “Jornal do Comércio”, “Ilustração Brasileira”, “Tribuna Liberal” e “Brasil-Portugal”. Também realizou palestras sobre o lugar da mulher na sociedade brasileira e outras questões nacionais.

Pouco conhecida porque raramente consta dos manuais de literatura brasileira. É pena, porque, a meu ver, ela tem muito valor literário. Somente agora, a editora Companhia das Letras está publicando suas obras. Pelo que contei,uns 7 ou 8 livros.

É o que penso. E você?

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