Dia 25 de março próximo, cumpre-se um decênio de sua morte. Inicialmente, transcrevo para nossos leitores seu necrológio, publicado no jornal "O Estado de São Paulo" do dia 30 de março de 2001, p. C5:
“Irmã Paulina Gonçalves (Nair de Lourdes Gonçalves) - dia 25, aos 85 anos. Natural de São Carlos (SP), camiliana (“Filhas de São Camilo”), estava há 55 anos na Congregação que por vocação escolheu. Dedicou sua vida à religião e à enfermagem, que exerceu com grande dedicação. Entre 1945 e 1954, residiu na Argentina, período de sua formação e noviciado. Ao voltar para o Brasil serviu, inicialmente, na Casa Central das “Filhas de São Camilo”, na Parada Inglesa, em São Paulo, para onde voltou em 1995 (onde veio a falecer), depois na Granja Viana e, a seguir, no interior de Minas Gerais, em Rezende Costa e Cruzília, cidades em que pôde demonstrar seu elevado espírito cristão, cativando a todos por sua incansável disposição para o atendimento ao próximo e seus especiais dons carismáticos. Deixou primos, sobrinhos, sobrinhos-netos/bisnetos. O enterro realizou-se no dia 26, no cemitério São Paulo. A missa de sétimo dia será celebrada amanhã às 15h30, na Capela da Casa de Descanso São Camilo, na rua Adelino Bortoli, 139, Parada Inglesa, nesta capital".
Nasceu a 8 de julho de 1915. Seus pais: José Carlos Gonçalves e Germânia Gonçalves. Desde os 3 meses foi criada sem a mãe. Infância e adolescência sofridas: muita tristeza e angústia. Aos 14 anos, cristaliza-se seu desejo de entrar para a vida religiosa num convento. O pai não autoriza: "só depois que eu morrer", o que vem acontecer em 9 de agosto de 1929. Orfandade completa. Mora por 5 anos com sua irmã.
Enfim, a dois de fevereiro de 1942, entrando para a Casa Religiosa das “Filhas de São Camilo”, a Nair vai aos poucos se transformando na Irmã Paulina, carismática, “mãe dos filhos dos outros que se desdobra sem limites", como escreve Tote (Maria Alacoque Daher), no jogral escrito e apresentado em sua homenagem, quando de seus 25 anos de Religiosa, por volta de 1970. Tião Lima (nosso Tião da Caixa) também confirma: Irmã Paulina costumava chamar de filhos, sobretudo, as crianças cujo parto ela fizera, o caso de um filho dele
Meu testemunho é reforçativo quanto a seu carisma e espírito religioso vocacional. Minha admiração começa quando ela trabalha na Granja Viana, cuja paróquia era assistida pelos padres da "Ordem dos Clérigos Regulares Ministros dos Enfermos (CCRRMI - Camilianos). Tinham lá o Seminário Menor (Instituto São Pio X).
Aqui em Resende Costa, onde laborou no hospital de 4 de maio de 1962 a 30 de junho de 1964 e de 1º. de maio de 1966 a 8 de fevereiro de 1980, deixou marcas indeléveis na memória de quantos que com ela conviveram. Cada um terá seus fatos pessoais, seus agradecimentos, suas emoções em torno dela. Não há espaço para transmitir tudo. Acho, porém, que o testemunho de Francisco Machado, 80 anos, (nosso popular Chico Machado), pedreiro que fez trabalhos no hospital, resume e representa nossas lembranças: "Irmã Paulina era jóia! Pra ela não tinha tempo ruim. Eu estava na roça, quando minha mulher correu pro hospital pra ter filho. Voltei rápido. Quando cheguei, irmã Paulina já tinha levado ela pra São João!".
Irmã Paulina: “mãe dos filhos dos outros”
14 de Fevereiro de 2011, por João Magalhães
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Zelosa e carismática, irmã Paulina sempre cuidou com carinho das crianças