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O Verso e Controverso

09 de Outubro de 2009, por João Magalhães

As catástrofes também aniversariam. Agora, em setembro, a maior tragédia do séc. XX fez 70 anos: a segunda guerra mundial. Li, na reportagem do José Venâncio no JL, a interessante entrevista com o Francisquinho da Jardineira e sobre sua luta para preservar a memória de nossos pracinhas da FEB, infelizmente nunca endossada pela nossa cidade, mãe de vários deles. Nas crônicas de nosso companheiro Rafael, seu lema-leit motiv final: “Estamos em campanha por um monumento em homenagem aos ex-combatentes resende-costenses” sempre me açulou a curiosidade. Seria brincadeira? Ironia? Ou cutucada nos poderes públicos de Resende Costa?

Dois comportamentos, pesarosamente, me impressionam em nosso município: seu pouco apreço pelo verde e a fraca reverência a seus personagens. Nossa cidade é pouco arborizada, embora tenha o raro privilégio de rodear um belo bosque com vegetação nativa, como, certa vez, nosso amigo Chiquinho do Góes conversava comigo.Até agora, só ficou no tombamento. Lembro-me da administração do Dr. Luiz. Plantou árvores na rua Sete (nossa popular, tradicional e antiga “caba fubá”) e os transeuntes (moradores também?) destroçaram tudo, em pouco tempo.

O Rio de Janeiro, depois do sucesso da estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade, assentado em um banco em Copacabana (quase sempre míope, pois a ladroagem insiste em roubar-lhe os óculos ... ) passou a espalhar estátuas pelos seus logradouros, sem critério algum (como polemizam alguns esteticistas e urbanistas). Em antítese com aquela cidade, inexiste em nossa urbe o costume de homenagear personalidades ou eventos significativos, perenizando-os em locais públicos.

Recentemente, comentava com André Eustáquio, nosso amigo e ex-redator chefe do JL: Resende Costa praticamente não tem monumentos públicos. Só conheço a herma de Rosa Penido, lá na praça do Assis Resende, que vive pichada! Fora isso, há nas lajes de cima, uma placa comemorativa da perfuração do poço artesiano, montada sobre dois cilindros da rocha. Os dizeres estão parcialmente ilegíveis.

Voltando ao assunto e finalizando. Os expedicionários resende-costenses ficaram na memória de nós, mais velhos. Acho que a lembrança mais remota que tenho no cérebro foi a da recepção calorosa que a população deu a eles em 1946. Nós, muito crianças, perfilados no passeio da praça Francisco Mendes, acenando com bandeirinhas do Brasil. E eles desfilando em direção aos “quatro cantos”. Guardo, até hoje, uma frustração: era meu projeto entrevistar o Zé Mendonça, ex-combatente e meu primo segundo. Adiei, adiei...e ele partiu.

Francisquinho da Jardineira tem razão, algumas cidades nossas vizinhas já os honraram. Resende Costa está devendo. Muitos de seus descendentes diretos vivem entre nós. Certamente colaborarão, quem sabe até liderando. Seria um marco importante para a cultura histórica do município. Tomara que a nova administração, legislativa e executiva, se sensibilize. Nossas forças pedagógicas, entidades, instituições etc, hão de se engajar. O JL, cujo propósito primordial é promover nossa terra, creio eu, estará na linha de frente dessa batalha. É o que penso. E você?

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