Na minha coluna, desta vez, só o verso, enquanto poema. O controverso aconteceria se o objetivo fosse analisar as qualidades poéticas ou não do soneto. Não é o caso.
Numa pesquisa no maravilhoso Livro do Tombo da paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, escrito pelo Padre Nelson, casualmente, chamou-me a atenção um título: “Saudação a Resende Costa”. É a poesia que transcrevo para nossos leitores.
Mira esta cidade serrana assentada sobre uma laje.
Uma “urbe” construída num monte, não ficará escondida.
Como Jerusalém e Diamantina sempre uma imagem
Dum farol, como arco de paz constante acendida.
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Palco ilustre de preclaros inconfidentes mineiros,
Não de um, mas de dois, pai e filho juntamente,
Hás de falar por todos os séculos dos pioneiros
Da liberdade tardia, que jamais esmaece justamente.
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Antes de ambos partirem para o longínquo degredo,
Ouro debaixo dos botões a esposa lhes costurava.
Deste modo fidelidade e coragem singular inspirava.
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Resende Costa, aprumada para o alto te elevas!
Teu povo, joelhos na laje, mãos para o céu sustenta.
Como Moisés na batalha, a vitória no peito acalenta”.
Até agora não conseguimos notícias do autor: Frei Gotardo Boom, OFM. Portanto, padre franciscano. Escreveu o soneto em Ritápolis, no dia 26 de outubro de 1968. O frei merece elogio. Dentro da forma difícil, pois, curta, fixa e travada do soneto clássico, transmitiu aspectos bem significativos de nossa cidade, com chave de ouro e tudo!
Resende Costa centenária: versos de homenagem
13 de Junho de 2012, por João Magalhães