Nosso tema: questionar, reclamar, protestar. Deu errado, não aconteceu, atrapalhou, piorou, prejudicou, estragou, injuriou, falseou? Não importa se é lei, decreto, determinação, portaria, costume, hábito. Dentro da verdade, proteste, reclame, marque posição; é o mínimo que se pode fazer.
O Brasil oficializou o acordo ortográfico da Língua Portuguesa (1990), com os decretos 6583 a 6585 de 29 de setembro de 2008. Embora, pioneiramente, esta coluna já se tenha pronunciado criticamente (JL: “O verso e o controverso”, Ed. 62, junho de 2008, p.9), volto ao assunto para exemplificar nosso tema e para aderir a um ou outro protesto que já brota por aí. Se escrevi, na ocasião, que achava o acordo “pífio, insuficiente e pouco contributivo”, agora, amplio. Acho-o, complicador e prejudicial para a aprendizagem da escrita. Se ensinar ortografia já era difícil, agora piorou. Faça o teste.
Aboliram o acento dos ditongos tônicos “ei” “oi” das paroxítonas. Não devia. O acento orientava a pronúncia. Só piorou. Faça o teste. Como você pronuncia estes exemplos: alcateia – ameia – boleia, - coreico – azoico – zoina – troica?
“alcatéia”( ) ou “alcatêia”( ); “améia”( ) ou “ameia ( ); “boléia”( ) ou “bolêia”( ); “coréico”( ) ou “corêico”( ); “azóico”( ) ou “azôico” ( ); “zóina”( ) ou “zôina”( ) e “tróica”( ) ou “trôica ( )?
Aboliram o trema. Não devia. Era útil. Ajudava na pronúncia. Exemplo: como se pronuncia: relinquir – réquiem – requestionar?
“Relinkir”( ) ou “relincuir”( ); “rékiem”( ) ou “récuiem”( ); “rekestionar”( ) ou “recuestionar”( )?
Mexeram com o hífen. Se antes era um problema, agora só se você decorar as complicadas “bases” do acordo, com as exceções e entender a linguagem “técnica” delas, ou consultar um dicionário atualizado. Você já tem?! Não está barato! Teste:
Pão de ló ( ) ou pão-de-ló ( ); pé de moleque ( ) ou pé-de-moleque ( ); autoestrada ( ) ou “auto-estrada ( )?
Uma pergunta às centenas de excolegas (amigo leitor, com hífen, ou sem?) professores de português: pediram a vocês alguma opinião, alguma sugestão, algum palpite?
Encerro com mais um exemplo. Por estes dias, procurei em duas enormes lojas de material de construção de São Paulo um adaptador para estas tomadas elétricas do modelo novo que o país impõe a todos os consumidores. Não achei. Para você plugar os produtos elétrico, lançados a partir de agora, não há saída: ou consiga os adaptadores ou troque tudo! Invocaram razões técnicas e de segurança. Pergunto: para obter isto, precisava modificar tudo? Nós, cidadãos, fomos consultados? Fora a quietude? Viva a inquietação. Fora o conformismo? Fora o “fazê o quê, né”? No mínimo, vamos protestar. É o que penso. E você?
Teste e proteste!
12 de Novembro de 2010, por João Magalhães