Os “Modos de Fazer Cachaça de Alambique” já são patrimônio imaterial de Minas Gerais. O reconhecimento foi aprovado, em 22 de outubro, pelo Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (CONEP). Na mesma data, as “Expressões do Samba em Minas Gerais” também se tornaram patrimônio fundamental do Estado. A terceira decisão foi o tombamento da Casa de Dona Beja, em Araxá. O CONEP é vinculado à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (SECULT).
“O registro dos modos de fazer cachaça de alambique permite que saberes não se percam e abre a oportunidade para que vários produtores, inclusive quem não está cadastrado nos meios oficiais, sejam valorizados”, disse na ocasião a secretária de Estado Adjunta de Cultura e Turismo, Josiane de Souza.
Minas Gerais lidera a produção nacional de cachaça de alambique, com volume estimado em 13,5 milhões de litros por ano. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (EMATER-MG), o estado conta com 630 alambiques registrados. O reconhecimento valoriza técnicas e conhecimentos tradicionais, amplia a visibilidade dos produtores e fortalece a projeção da cachaça mineira nos mercados nacional e internacional.
Os produtores de alambique foram representados por Sara Regina Santana Santos, integrante de uma família que produz a cachaça Guaraciaba há 62 anos. “Esse reconhecimento do IEPHA (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais) vai abranger muitas famílias que vivem da cachaça e mostrar o valor da bebida para os mais jovens. Antes, a cachaça era malvista e hoje as pessoas estão valorizando mais.”
Na região do Campo das Vertentes, encontra-se o alambique mais antigo do Brasil em atividade, que produz a cachaça Século XVIII. “Há quase 300 anos, o Engenho Boa Vista, em Coronel Xavier Chaves, transforma o sumo da cana na bebida genuinamente brasileira.”
Veja aqui a reportagem Cachaçarias de portas abertas no Campo das Vertentes.
Expressão de resistência
O registro das Expressões do Samba reconheceu a presença histórica e a diversidade dessa manifestação em Minas Gerais. Atualmente, 246 grupos de samba estão cadastrados no estado. “O reconhecimento do samba como patrimônio imaterial de Minas Gerais também valoriza uma expressão de resistência e demonstra a força da afro-mineiridade”, assinalou a secretária adjunta da SECULT, Josiane de Souza.
“É um momento histórico”, celebrou Raimundo Nonato da Silva, um dos coordenadores do coletivo de sambistas Mestre Conga, que solicitou ao IEPHA-MG a elaboração do dossiê para o reconhecimento. “Nossos ancestrais lutaram tanto por essa cultura. Na época da ditadura, quando o samba era proibido, sambistas apanhavam, eram presos, e o samba era visto como coisa de vagabundo e cachaceiro. Hoje, é reconhecido como patrimônio cultural. Isso é uma vitória para os sambistas.”
Fonte: Governo de Minas
