A Casa dos Açores de Minas Gerais, fundada em 2025, como a 19ª do gênero no mundo, vai focar sua atuação em negócios, como instrumento para promover o desenvolvimento econômico sustentável, diz Claudio Motta, o primeiro presidente da instituição. “O trabalho voltado à tradição, à cultura, à arte, à literatura, ao resgate dos hábitos, dos costumes, da forma de fazer o queijo, de bordar, isso tudo faz parte de um contexto fundamental. Mas a sustentabilidade da tradição e da cultura é o negócio.”
O advogado e jornalista barbacenense Claudio Motta recebeu este repórter e o professor de geografia, Adriano Valério Resende, no dia 19 de janeiro em Belo Horizonte. “Esta foi a primeira visita oficial à Casa dos Açores em 2026, com muita honra”, disse. A sua ideia é “criar as oportunidades para os empresários se mobilizarem, se desenvolverem, ganharem dinheiro e assim, inclusive, financiarem projetos”.
Primeiros eventos
Claudio Motta confirmou a participação, este ano, da Casa dos Açores-MG em dois eventos regionais: o encontro com produtores de leite e derivados, nos dias 28 de fevereiro e 1º de março em Andrelândia, que organiza com apoio da prefeitura local; e o 26º Reszendão de Lagoa Dourada, em comemoração aos 300 anos de casamento, em Prados, dos açorianos João de Rezende Costa, da ilha de Santa Maria, e Helena Maria de Jesus, uma das três ilhoas da ilha do Faial.
“Eu faço questão de estar presente no Reszendão, será uma honra”, revela Claudio Motta. “Lagoa Dourada, do rocambole e da cultura dos móveis, faz parte do meu roteiro, já que eu passei inúmeras vezes por lá. A minha casa lá no Aconchego da Serra tinha inúmeros móveis de Lagoa Dourada.”
Com isso, Claudio Motta espera inaugurar “o trajeto mais importante de Minas Gerais com os Açores”. A ideia ainda é promover uma semana de encontros, nos dias 20 a 24 de abril, na qual estão previstos festividades, workshops, palestras e seminários na cidade de Ponta Delgada, na ilha de São Miguel dos Açores, em Portugal.
Roteiro conhecido
Motta é frequentador assíduo da antiga Comarca do Rio das Mortes, com sede em São João del-Rei, de grande tradição e cultura e “que foi uma das mais populosas do mundo; ela possuía população maior do que as colônias inglesas naquela época”. Atualmente, parte da antiga comarca forma a região do Campo das Vertentes. A partir dessa construção histórica, este “é um resgate que nós precisamos fazer da tradição, da cultura, da produção do leite e do queijo, do artesanato, da importância que isso representa”.
É nessa tradição representada pela antiga comarca que Motta inclui Resende Costa, “um marco fundamental, definitivo e absolutamente transformador nessa história”. Uma cidade que ele conhece tão bem pois já visitou várias vezes - “eu fui comprador do artesanato de Resende Costa, muito antes de estar envolvido com os Açores”. Habitada no seu início por descendentes de João de Rezende Costa, casado com uma das Três Ilhoas açorianas, “hoje Resende Costa representa o berço de um artesanato muito importante”.
É assim que Claudio Motta aceita o desafio de promover o intercâmbio de informações, no âmbito do acordo de cidades-irmãs (geminadas) entre a cultura do artesanato de Resende Costa - a forma de bordar, de tecer etc. - e a experiência da ilha de Santa Maria nos Açores, por meio de missões de artistas (e empresários) dos dois lados do Oceano Atlântico.
Resgate
Partindo do princípio de que “eu sempre gostei dessa região”, Motta está disposto, nessa sua missão à frente da Casa dos Açores-MG, a contribuir para resgatar esta memória, quer das Três Ilhoas Açorianas, que vieram no início do século XVIII para Minas Gerais, quer do casamento do açoriano João de Rezende Costa com uma delas há 300 anos; enfim “toda essa história que parece que já estava escrita de alguma forma na minha memória ou na minha cabeça ou na minha alma” e que “eu tive o prazer de levar isso ao Governo dos Açores e ao conhecimento do governador (de Minas Gerais)”.
Mas Claudio Motta quer ir além, de forma a abranger os aspectos econômico e de energia sustentável. “Uma das diretrizes do nosso projeto é exatamente estabelecer três nichos importantes de negócio. O primeiro, voltado para a produção de leites e derivados; o segundo, voltado para a energia limpa, sustentável, eólica, fotovoltaica e térmica, principalmente, já que as ilhas são vulcânicas. E o terceiro item, de importância fundamental, que é o turismo.”
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