A tradicional Orquestra Lira Sanjoanense, de São João del-Rei, já tem seu Brasão Comemorativo dos 250 anos. A data será celebrada em 2026, durante a Festa de Santa Cecília, padroeira da música.
O ano de 1776 é considerado o marco fundador da Orquestra, que mantém atividades ininterruptas até hoje. O referencial é o documento mais antigo conhecido, que faz naquele ano o registro de um “termo de trabalho”, segundo Modesto Flávio Chagas Fonseca, professor do Curso de Música da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e regente da Lira Sanjoanense desde 2014. “A Lira Sanjoanense mantém viva a tradição e a memória musical de São João del-Rei, de Minas Gerais e do Brasil”, segundo a sua página no Facebook.
Na Festa de Santa Cecília de 2025, em novembro, deu-se início, de forma solene, o Ano Jubilar de 250 anos de história da Lira Sanjoanense. Após a missa festiva, realizou-se, na sede da Orquestra, a sessão solene de abertura do ano jubilar, ocasião em que foi apresentado o brasão.
Ao longo do ano jubilar, está prevista a realização de diversas comemorações, incluindo recitais, concertos e palestras. O escudo comemorativo será utilizado oficialmente até o final de 2026.
Breve histórico
Criada por um grupo de músicos liderados por José Joaquim de Miranda, a orquestra foi reconhecida pela UNESCO como a organização musical mais antiga das Américas em atividade contínua. Surgiu com o nome de Companhia de Música para atender a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário no culto religioso, mas também passou a participar de outras atividades como récitas operísticas, teatro musicado e bailes.
Em 1846, Francisco de Paula de Miranda redigiu novos estatutos, alterando o nome para Philarmonica Paulina. Em meados do século XIX, passou a se denominar Sociedade Musical Lyra São Joannense e, em meados do século XX, o maestro Pedro de Souza simplificou o nome para a forma atualmente conhecida: Orquestra Lira Sanjoanense.
Ao longo da trajetória do grupo, sempre houve um ou mais compositores atuantes, revela o professor e regente Modesto Fonseca. “Boa parte de seus regentes também foram compositores, a exemplo de Luiz Batista Lopes, João Feliciano de Souza, Francisco Martiniano de Paula Miranda, Pedro de Souza e Benigno Parreira.”
O arquivo de partituras da Orquestra possui grande quantidade de diferentes gêneros musicais, fruto de produção musical a partir do século XVIII, além de cópias de compositores europeus do século XIX. “Para além de música sacra, também consta de música para banda (a Lira teve sua banda de música), valsa, mazurcas, polcas, quadrilhas, aberturas de ópera, música para cinema mudo e música de câmara para diferentes formações”, prossegue Modesto Fonseca.
Ainda hoje, novas obras musicais são criadas e direcionadas para a Lira Sanjoanense por compositores integrantes de seu quadro de músicos, acrescenta o professor Modesto. A Orquestra mantém presença marcante nas cerimônias religiosas e nas festividades de São João del-Rei. São 272 apresentações anuais, preservando a tradição da música sacra e enriquecendo as festividades religiosas da cidade.
Com valioso acervo musical e manuscritos raros, é referência para pesquisas musicológicas no Brasil. É assim considerada um dos pilares da identidade cultural de São João del-Rei e da região mineira do Campo das Vertentes.
Veja aqui o facebook da Orquestra Lira Sanjoanense
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Brasão dos 250 anos (fotos: arquivo Modesto Fonseca e Facebook).


