Cerca de 50 pessoas, maioria mineiros, participaram, no dia 5 de novembro, em Portugal, do primeiro jantar, promovido pela Casa dos Açores de Minas Gerais, por meio da plataforma NEW-New Economy Word dirigida pelos empresários Alexandre Brodheim e Pedro Gouveia. A NEW, que preside a Delegação da entidade mineira no continente português, tem sede institucional na Cooperativa Nova Morada, no município de Oeiras. Foi um jantar tipicamente mineiro, com costela bovina, mandioca, couve refogada, frango com quiabo e sobremesa com doce mineiro, goiabada e queijo Minas.
Na ocasião, Claudio Motta, presidente da Casa dos Açores-MG, fez uma participação especial por meio de videochamada, diretamente de Belo Horizonte. Congratulou-se com a organização do jantar e manifestou apoio a (e compromisso com) atividades que a representação em Portugal venha a desenvolver no futuro próximo.
Alexandre Brodheim, presidente da NEW, destacou a importância de visão estratégica, vasta experiência empresarial e capacidade de estabelecer pontes institucionais e comerciais, tanto a nível nacional como internacional, como fatores determinantes para o desenvolvimento deste projeto. Nesse sentido, a aproximação entre Portugal e Brasil, particularmente com o Estado de Minas Gerais, contribui, decisivamente, para consolidar relações de cooperação, promover novas oportunidades de investimento e fortalecer os laços econômicos, empresariais e culturais entre os dois países. Além de ser um dos pilares essenciais desta iniciativa e da sua projeção internacional.
O balanço é extremamente positivo, segundo Pedro Gouveia. “Este primeiro jantar foi um verdadeiro sucesso, tanto pela adesão como pelo ambiente de amizade, entusiasmo e partilha. Superou as nossas expectativas e demonstrou o enorme potencial desta iniciativa.” Ele agradeceu a presença e o entusiasmo dos participantes, “fundamentais para o sucesso deste primeiro encontro”.
A mineira de Curvelo, Isabella Couto, diretora de relações públicas e eventos da Casa dos Açores-MG/NEW, também considerou positiva a primeira experiência. Para compensar a perda que se tem ao imigrar, “poder conectar-se com pessoas que têm raízes, coisas parecidas, cultura mesmo, é extremamente importante. Nós mineiros somos muito família, temos raízes muito fortes”. A ideia é aglutinar o máximo possível esses mineiros, e depois trabalhar a origem açoriana, explica Isabella, “porque isso faz parte, afinal, da Casa dos Açores de Minas Gerais”.
Na mesa tipicamente de descendentes de açorianos (ilhas de Santa Maria e Faial), além deste repórter, encontravam-se o resende-costense João Bosto Pinto Lara e a esposa Maria da Conceição Lopes Noronha; Maria Joana Abranches de Aguiar, neta de Aristides Cardoso Rezende Nunes de Aguiar, de Cabo Verde, que viveu a maior parte da vida em Cabanas de Viriato (Portugal); Fernanda e Isabel Quejas, filhas do músico cabo-verdiano Fernando Aguiar Quejas, neto Ludovina da Graça Rezende, também da cidade de Praia (Cabo Verde).
Maria Joana aceitou o desafio de participar do jantar. “E fui! E quem vai, traz sempre alguma coisa em acrescento: caras, sorrisos, sabores, partilhas, descobertas, propostas, dúvidas, desejos, curiosidades…! Quem vai descobre. Quem vai conquista. Quem vai pode permanecer. Eu fiquei com vontade de permanecer neste projecto interculturas, entre gentes de cá e de lá, que cruza ilhas e continentes. Que cruza gerações e vidas numa Nova Economia (New Economy World) que se faz identidade com base no velho mundo. Os nossos costados são fortes e o peso do sangue puxa por nós. Para as raízes. Por isso, fui!”
Para João Bosco, a participação no jantar na cidade de Oeiras, "um grande, progressista e influente município no entorno de Lisboa, foi importante exatamente pelo "nosso interesse na integração com os portugueses, uma vez que temos residência em Lisboa, e em especial com nossos parentes, descendentes diretos de José de Resende Costa, o Filho, que têm origem nos Açores e em Cabo Verde, onde o inconfidente cumpriu a pena de degredo. Foi uma experiência muito enriquecedora. As nossas primas são pessoas cultas e simpáticas, e duas delas conhecem bastante do Brasil. O jantar de nossas comidas típicas de Minas, inclusive queijo com goiabada, estava maravilhoso. Pretendemos dar seguimento a essa integração".
“Foi um jantar e um convívio agradáveis”, resumiu Fernanda Quejas. “Desejo o maior sucesso a este projeto que irá certamente ter pernas para andar.”
Galoucura
Uma das mesas reuniu membros da Galoucura (torcida organizada do Atlético Mineiro), que está a crescer em Portugal. A torcedora Talita Mayra Nerida Silva, por exemplo, mora na margem sul de Lisboa (do outro lado do Rio Tejo) e tem um pequeno negócio de estética. “A gente se conheceu aqui mesmo em Portugal, vemos jogo juntos”, embora eles morem em locais diferentes da grande Lisboa. Para ela, “essa troca, essa partilha de experiências, e até mesmo uma possível parceria entre empresas, é muito interessante. E também matar um pouco da saudade de Minas Gerais”.
Em outra mesa de mineiros, encontramos o belo-horizontino Ronan de Andrade Horta de Almeida, filho do cirurgião plástico Ataliba Ronan Horta de Almeida. Em Portugal, Ronan tem um ecossistema de negócios, de conexão e aceleração de pessoas e empresas chamado Business Social Club. “Como um bom mineiro, eu já me sinto naturalmente um embaixador de Minas aqui em Portugal. Imediatamente me conectei com Portugal de uma forma muito natural e simples.” Ronan vê uma oportunidade de troca de experiências e aprendizagem. “Eu quero colaborar com o meu melhor, trazer toda a minha experiência de vida para colaborar com a comunidade portuguesa da melhor forma possível e também poder fazer esse soft landing (adaptação suave) dos meus compatriotas que chegam aqui, dos brasileiros, especialmente os mineiros, que chegam aqui para empreender, para edificar.”
Para o presidente da Cooperativa Nova Morada, Paulo Ceia, a afinidade com Pedro Gouveia, em termos de dinamismo, visão empreendedora, valores, explica a parceria e a decisão de a Cooperativa Nova Morada – Oeiras sediar a Casa dos Açores-MG/NEW. Mas foi, especificamente, o tênis de mesa o fator de aproximação entre a cooperativa e Pedro Gouveia. Paulo Ceia espera que este jantar seja “o primeiro de muitos e que esta iniciativa tenha muito sucesso e que realize os seus objetivos, meritórios, e se traduzam numa expansão, diversificação e interligação cultural, social e econômica entre o Brasil, os Açores e o Portugal continental”.
A Cooperativa Nova Morada, fundada em 1976, “é a única cooperativa de habitação em Portugal que tem o estatuto de utilidade pública”, enfatiza Paulo Ceia, num momento em que o país vive uma crise habitacional sem precedentes. “Também devemos ser os únicos a ter revisor oficial de contas, portanto as nossas contas estão certificadas há décadas”. A cooperativa já construiu mais de 700 casas e pretende colaborar com a Câmara Municipal de Oeiras na construção de 2.000 casas, a preços acessíveis para a classe média, nos próximos anos.
Além da habitação, a cooperativa tem outros pilares como o social (“estamos a dinamizar a rede social do concelho de Oeiras com diversas entidades que desenvolvem serviços de excelência no campo social”), o cultural (“temos um grupo de teatro amador que tem mais de 30 anos, e estamos a diversificar a área cultural para a escrita, arte e música”) e o desportivo (“estamos em franca expansão”). Trata-se de uma parceria “visionária”, na opinião de Carlos Augusto de Jesus Domingues, vice-presidente do conselho de administração.
Também participou do jantar o diretor da Jethro Internacional de Diplomacia Civil Humanitária, em Portugal, ex-coronel do Exército José Custódio Madaleno Geraldo. A Jethro é uma espécie de Cruz Vermelha que atua em ambientes de guerra e de emergência, com acesso a hospitais. Fundada pelo brasileiro Renato Freire, atua em mais de 160 países. E ainda o esportista José Robson, treinador de tênis de mesa, ex-campeão brasileiro e um dos melhores jogadores da atualidade em Portugal, além de mestre de arte marcial (cinturão negro 3º- dan em Ninjutsu/Budo Taijutsu); o escritor Jorge Chichorro Rodrigues, autor da coleção “Mestres da Língua Portuguesa”, como Machado de Assis e Jorge Amado; o casal Edson Suarez, ex-presidente do Lions Clube Nova Lima Alphaville Lagoa dos Ingleses, Minas Gerais, e Adriana Furst, arquiteta; Hudson Hott, da empresa Hudson & Hugo - Negócios e Serviços; Charles Gonçalves, da CB Supply Internacional; o engenheiro informático André Rebelo, diretor geral de Tênis de Mesa do Grupo Instrução Popular Amoreira (GIPA); o casal Paulo Lacerda e Marcela Mourão, donos da Arte Nativa Produtos Naturais e API Representações e Importações.
Veja aqui a entrevista Os planos dos delegados da Casa dos Açores-MG, em Portugal






