A Synatria, startup spin-off da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), venceu o Prêmio Inovo 2025, na categoria Startup Promissora, da IV Cúpula Brasileira de Inovação em Saúde, realizada em São Paulo. Criada em 2025, com raízes que remontam a 2019, a Synatria surgiu a partir de um núcleo de pesquisa dedicado ao estudo da enzima sódio-potássio ATPase, no Campus Centro-Oeste (CCO) da UFSJ.
Desde então, a startup vem reunindo esforços de pesquisadores de diferentes instituições, como USP (paulista), UFPB (paraíbana), UFRJ (fluminense) e UFG (goiana), para desenvolver terapias inovadoras voltadas a doenças neurológicas raras e complexas. O reconhecimento é mais um passo importante na transformação de pesquisas acadêmicas em soluções acessíveis e de impacto na área da saúde.
Impacto social
A premiação representa um marco, diz a pesquisadora Maria Luiza Correia, fundadora da Synatria e que acompanha o grupo desde a graduação em Bioquímica na UFSJ. “A Synatria nasceu para tirar nossas descobertas do laboratório e levá-las até os pacientes. Nosso pipeline vai de doenças raras, como a hemiplegia alternante da infância, até aplicações em bioestímulo de colágeno.” Assim, o Prêmio Inovo “abre portas para novas conexões e mostra que estamos preparados para transformar ciência em soluções reais”.
A Synatria ainda não possui laboratórios próprios. Os testes acontecem em universidades parceiras, especialmente nos laboratórios de Bioquímica Celular e de Síntese Orgânica da UFSJ, onde a equipe planeja e valida os próximos passos.
A Syna-2, molécula mais avançada do portfólio da Synatria, foi o destaque no pitch que garantiu a vitória no Prêmio Inovo. Nos testes pré-clínicos, a substância apresentou eficácia na proteção das células contra danos causados pelo acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico, mesmo horas após o evento, o que amplia significativamente as chances de uso em contextos pré-hospitalares.
O trabalho tem como base a síntese de novas substâncias derivadas da digoxina, explica o professor José Augusto Ferreira Perez Villar, dos Programas de Pós-Graduação em Materiais (PPGMQ/CCO) e em Ciências da Saúde (PPGCS). “Um de nossos derivados sintéticos se destacou em estudos pré-clínicos em colaboração com dezenas de pesquisadores no Brasil e no exterior. Os resultados são promissores no tratamento da isquemia cerebral e da hemiplegia alternante da infância. Receber esta premiação representa não apenas o reconhecimento de que estamos no caminho certo, mas também a esperança de contribuir, no futuro, para o desenvolvimento de uma terapia eficaz contra essas doenças.”
O professor Leandro Barbosa, que lidera a frente biológica das pesquisas, celebrou a conquista: “Ficamos muito felizes de ser considerados uma promessa e de dar visibilidade ao trabalho. Essa validação é fundamental para atrair investidores, já que nós, enquanto acadêmicos, não temos tempo de empreender. A Maria Luíza tomou a frente e estruturou a Synatria para levar ao mercado os produtos feitos pela UFSJ. A premiação é importante não só para traduzir o nosso trabalho além dos artigos e teses, mas também para dar um passo a mais rumo à comercialização, gerando inovação e benefícios para a população, que é o objetivo final.”
Outro que ressaltou a importância da conquista foi o professor Paulo Granjeiro, coordenador do Núcleo de Empreendedorismo e Transferência de Tecnologia (NETEC/UFSJ). “Para a UFSJ, é motivo de orgulho observar que soluções desenvolvidas em nossos laboratórios estão ganhando destaque nacional. O reconhecimento desse trabalho é resultado de anos de pesquisa comprometida em propor soluções práticas que melhorem a qualidade de vida das pessoas.”
Sobre o Prêmio Inovo
Promovido por Sindusfarma, Rede Brasileira de Inovação Farmacêutica (RBIF) e Biominas Brasil, o Prêmio Inovo 2025 reconhece startups e pequenas empresas que desenvolvem soluções inovadoras na área da saúde. A premiação conta com duas categorias: Startups Promissoras e Startups Inovadoras.
Na edição de 2025, realizada em setembro, a Synatria conquistou o 1º lugar na categoria Promissora ao lado da WeCare, vencedora em Inovadoras. Os finalistas apresentaram suas soluções para uma banca avaliadora formada por representantes do setor industrial, financeiro e de inovação em saúde.
Fonte: https://ufsj.edu.br/mais_noticias.php
