Detestamos o interno. O interno é a mesmice, o fluxo contínuo de nossos mesmos defeitos, de nossas mesmas virtudes, de nossas mesmas fantasias. Reduzir-se ao interno é ficar preso na carcaça. Quem vai lá fora aprende, cresce, vê novidades, vive o imprevisível. O mundo não se restringe a uma caverna, de acordo com o mantra do Platão.
Daí que o homem está sempre procurando sair. Sai em tudo e de tudo. Se o cara está deprimido, lá vem conselho: Você tem andado triste... procure sair um pouco.
Sair é diagnóstico moral também: Essa menina está muito saidinha. Ou ainda: Você sabia que o Fulano está saindo com a vizinha?
A gente sai até pra fazer levantamento de estoque ao verificar se a mercadoria tem... saída. A gente sai na foto, sai de fininho, sai do tom, sai do compasso, sai por aí...
Tem coisa melhor do que reunir os amigos? Só que esse encontro nunca é marcado para ser na casa de alguém: Vamos marcar uma saída pra gente conversar!
Talvez por isso o pobre verbo “entrar” carregue um fardo negativo. Sempre tem gente entrando numa fria. Outros entram bem (porque entraram mal!). Sem falar naqueles que dão entrada no hospital.
O negócio, amigo, é sair. Jamais entrar. Não é à toa que, de vez em quando, lá vem advertência: Cuidado, cara, não entra nessa não!
Sair é a solução. Todo problema tem solução, logo... qual é a saída do problema? Se a pessoa achou uma boa resposta, saiu-se bem.
A expulsão do paraíso deixou marcas profundas em nós. A partir daí, o homem ficou condenado a sempre sair. Até pra nascer ele nasce pra fora.
Já caminhei muito nessa vida. Ainda tenho muito que caminhar. E minhas trilhas sempre são traçadas para me levar a uma saída. Não nasci para labirintos. Mas, às vezes, viver pesa e o dia a dia se torna um emaranhado de corredores e portas sem sentido. É aí que eu salto de banda, junto as palavras e tento uma saída de mestre.