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LA BELLE JOU-JOU

04 de Agosto de 2025, por José Antônio

O nascimento de Vênus!!!

Foi isso que o Rosinaldo viu quando aquela mulher escultural saiu da piscina. Molhadinha, cabelos escorridos, seios firmes, cintura aviolada, gotículas se misturando com os arrepios de sua barriga e coxas… 

Do corpo, escorriam filetes de líquida perdição que se empoçavam ao lado da cadeira de sol. 

Se a beldade era quadro vivo de Botticelli, Rosinaldo era estátua de Michelangelo: ficou petrificado.

A bela se deitou em sua cadeira, colocou seus óculos escuros e ficou gostosamente exposta à visitação pública. Quem era ela? Como se chamava? Jamais fora vista no clube até então.

Não deu outra. Rosinaldo atirou-se ao barzinho e voltou com dois drinks:

- Um para você e outro para mim!

A Vênus recém-nascida tirou os óculos escuros e lançou um olhar de gostoso abismo para Rosinaldo. Depois, iluminou o rosto com um sorriso penetrante:

- Oh!… Que gentil! Aceito sim.

E, a partir daquele dia, passou a aceitar todos os drinks e presentes que Rosinaldo lhe dava. 

Fazia questão de ser chamada de Jou-Jou. 

- Sim, meu bem. Pronuncia-se “Juju”. Meu pai, comerciante de joias francês, me pôs o nome de Bijou. Sabe o que significa Bijou em francês? Joia! Daí o meu apelido carinhoso: Jou-Jou. Ai… ai…

E fez um beiciinho de Brigitte Bardot.

Rosinaldo pulou de ponta-cabeça. Durante muitos dias ele beijou a Bijou.

E assim caminhava a histoire d’amour…

Beijos… loucuras… gritinhos franceses… viagens… joias… mais gritinhos franceses ainda… roupas caras… cartão de crédito em conjunto… gritinhos franceses e franceses gemidos… Que loucura, meu Deus!

Uma noite, Rosinaldo levou a sua Jou-Jou a uma exposição de doces exóticos. Ela olhou languidamente para ele e sensualizou:

- Benzinho, compra um docinho para a tua Jou-Jou! Põe um docinho na boquinha da somente tua Jou-Jou…

Os preços dos doces eram salgados. Quase que Rosinaldo teve de penhorar dois bastonetes e sua retina para pagar os doces exóticos. Mas valiam as penas por Jou-Jou…valiam as pernas de Jou-Jou…

- Você sabe como adoçar a minha vida tão só! Às vezes, choro porque sou tão sozinha… 

 E a Jou-Jou fazia um biquinho no tamanho exato de uma moeda.

Rosinaldo, comovido, fazia promessas e promessas de nunca deixá-la só.

Um dia, Jou-Jou sumiu. Não deixou rastos nem restos. Nunca mais foi vista. Rosinaldo fez de tudo para reavê-la. Em vão.

 Por causa de ficar perdido nos fundos da Jou-Jou, o investimento não passou de fundos perdidos. O dinheiro jamais voltou. 

 Jou-Jou era apenas uma Bijou… teria!

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