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Natal de papel

24 de Dezembro de 2025, por José Antônio

O que dizer sobre o Natal? Todos esperam mensagens tocantes, recheadas de lembranças e esperanças, canções suaves que nos fazem chorar e rir ao mesmo tempo. Aí vem na memória um obituário de convivas que já se foram e não mais comemorarão Natal algum com a gente. E toca todo mundo a chorar. Mas sempre tem no Natal alguém com um bebê, e o bebê apronta uma porção de palhaçadas na hora de ceia. E toca todo mundo a rir.

Do alto do meu apartamento, estendo o olhar pela cidade e vejo inúmeros pisca-piscas. São desejos coloridos de que a alegria e a paz aconteçam na Terra. Como se as luzinhas não piscassem, mas sim pulsassem junto com os corações dos moradores, espalhando ternura.

Fico pensando na minha crônica sobre o Natal. Meu texto também mostra rapidamente luzes simples que devem ser enxergadas várias e repetidas vezes, como um pisca-pisca de palavras, alertando que algo mais profundo transcende o mero repetir automático do cotidiano. Meu texto procura o sumo do dia a dia, extraindo emoções e sensações contraditórias mas complementares, como o prazer e a dor, o imponente e o humilde... e nas suas linhas traçadas de literatura procura combinar riso e lágrima.

Meu texto procura nas palavras o inefável das expressões, assim como os sinos de Natal: simples badaladas, porém arautos dos nossos mais íntimos e inexplicáveis sentimentos.

A árvore de Natal... poético final de arco-íris, onde está o caldeirão de ouro: os presentes. São tão sedutores, com seus formatos e embalagens fantásticas, que nos esquecemos da mentira da neve sobre os galhos do pinheirinho falso. Bolas coloridas e de variados tamanhos tornam aquele cantinho da sala um caleidoscópio alegre e aconchegante.

Aos poucos, todos vão chegando a casa, onde está preparada a ceia. Crianças correm pelos cômodos, homens formam uma rodinha com cerveja, salaminho e azeitona, mulheres se juntam para trocar elogios e reclamarem de que precisam emagrecer. Há enfeites por toda a casa, todos os recantos estão acesos. Economizar energia? Pra quê? É Natal!

No presépio, o Menino Deus deitado com os bracinhos abertos, sorrindo para quem quiser tomá-lo consigo. José e Maria, ajoelhados ao redor da manjedoura, adoram piedosamente aquela criança que mudará o mundo.

E minha crônica... não é ela final de arco-íris, uma vez que é a própria combinação de cores e matizes. Cada um que escolha o que mais lhe agrade... ou rasgue e jogue fora. Minha crônica não chega a ter neve falsa, mas salpico em minhas histórias algumas purpurinas de invenção, pois quero que minha escrita seja sempre contemporânea, que volte continuamente com variadas novidades, assim como o Natal.

Minha crônica anseia por ser um espaço onde crianças, homens e mulheres se encontrem para brincar, saciar-se, contemplar-se e reconhecer as mesmas e surpreendentes procuras, conquistas e perdas dos pobres seres humanos.

Sei que minha crônica não é digna de servir de manjedoura ao Deus Menino, mas procura imitar um presépio, pois é pobre, limitada, simples e pequena. Daquela cena entre pastores e animais, brotou a figura mais exemplar do amor incondicional. Da minha crônica, entre palavras, ideias e solidões, espero brotar leituras e releituras, tonificantes da alma, alegrias para o espírito, contribuições para as mentes.

Acho que assim é minha crônica: um Natal sem lembranças e sem angústias, como quer o Dono da Festa: a cada dia basta o seu cuidado. Não me prendo às saudades nem às preocupações, pois passado e futuro são instâncias infinitamente menores que o presente.

O meu presente é a renovação do olhar e da vida a cada dia, a cada momento, a cada frase, a cada crônica, a cada canção... Minha crônica é um Natal de papel, onde estão escritas algumas e muitas pistas das peripécias do dilema humano. Minha crônica é um Natal de papel.

A você, desejo um Feliz Natal, um feliz papel em branco, espaço para você escrever a sua felicidade construída pela felicidade que você proporcionará ao próximo neste Ano Novo.  

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