Duas caixinhas artesanais de madeira, contendo uma cruz peitoral-relicário e uma vela, foram oferecidas ao Papa Leão XIV pela Real e Venerável Irmandade do Santíssimo Sacramento de Mafra. A comitiva da Irmandade acompanhou, em 24 de setembro, a Roma, o presidente de Portugal, Antônio José Seguro, que na ocasião foi recebido em audiência pelo papa. Leão XIV também benzeu o novo manto de Nossa Senhora da Soledade de Mafra, que reproduz fielmente o antigo manto da imagem, da segunda metade do século XIX.
O artista resende-costense Silviney Almeida foi o responsável pela confecção das duas caixinhas, por indicação de Ilda Nunes, proprietária da empresa Patrimônio, Tempo, Conservação e Restauro onde ele trabalha, e que é também ligada à Irmandade de Mafra. Os estofados e o acabamento das caixinhas ficaram por conta da própria Ilda.
A cruz peitoral de prata, folheada a ouro, inspirada nas cruzes da Real Basílica de Mafra e acondicionada em uma das caixinhas, teve o projeto 3D desenvolvido pela técnica de informática Margarida Cruz. O molde e a fundição foram de autoria do escultor Manuel Dias. A vela, que ocupou a outra caixinha, foi doada pelo patriarca da Sé de Lisboa, dom Rui Valério.
Trabalho artesanal
Embora seja funcionário da empresa, Silviney ficou surpreso, porém satisfeito, com o convite. “É uma honra como brasileiro e resende-costense poder contribuir, através das minhas mãos e do meu ofício, para a realização de um trabalho tão especial.”
Tratou-se de execução artesanal de duas caixas, “concebidas especificamente para peças de elevado significado religioso e histórico”, explicou Silviney. “As caixas foram produzidas em madeira de pinho-riga, com construção tradicional e atenção rigorosa à estabilidade, precisão dimensional, acabamento e durabilidade”, completou o artista.
A caixa destinada à cruz-peitoral de prata, folheada a ouro de 24 quilates, apresenta dimensões de 18 × 12 cm. A segunda caixa, destinada ao acondicionamento da vela, tem dimensões de 52 × 7 cm.
Na construção, foram utilizados encaixes tradicionais de marcenaria, como malhetes e rabo de andorinha, garantindo maior solidez estrutural e valorizando simultaneamente o caráter artesanal das peças. Como elemento complementar, foi executada uma estrela rosa folheada a ouro, aplicada no tampo da caixa. O elemento foi concebido com referência simbólica às navegações portuguesas, estabelecendo uma ligação entre a peça, a identidade histórica de Portugal e a sua relação secular com o mar.
A escolha dos materiais, os sistemas construtivos e os elementos decorativos foram pensados de forma integrada, procurando conciliar funcionalidade, proteção, tradição artesanal e significado simbólico. “É um privilégio poder exercer o meu ofício de entalhador, escultor, restaurador e artesão em trabalhos que contribuem para a preservação da memória, da arte sacra e do patrimônio”, manifestou Silviney.
Visita a Portugal
Na audiência com o papa e em reunião na Secretaria de Estado do Vaticano, o presidente português certamente terá reafirmado o convite para a visita do Sumo Pontífice a Portugal em 2027, por ocasião dos 500 anos da formalização da nunciatura apostólica no país e dos 110 anos das aparições de Fátima. Também será celebrado o décimo aniversário da canonização dos santos Francisco e Jacinta Marto.
O convite formal para a visita fora enviado ao papa, em maio deste ano, pela Presidência da República de Portugal, segundo o semanário REGIÕES, de Castelo Branco. O portal de notícias Lisboa Secreta divulgou que, segundo fontes diplomáticas, o Vaticano estava a finalizar os detalhes da visita do papa a Portugal. Além da vontade manifesta de Leão XIV em visitar Portugal, também em 2027 será celebrado o Ano Santo Jacobeu em Santiago de Compostela, na vizinha Galiza (Espanha), que faria parte da viagem.
O juiz da Irmandade, Manuel Freixe das Torres, entrega a cruz peitoral ao Papa Leão XIV no Vaticano
