Duas fotos de tecedeiras em seus teares de madeira, enviadas a este repórter por Marcos Rodrigues, da Foto Ideal Resende, reafirmam o elo de ligação histórica entre Resende, às margens do rio Douro em Portugal, ilha de Santa Maria, nos Açores, e Resende Costa, em Minas Gerais. Nestas fotos, encontram-se as senhoras Maria Alice Pereira, mãe de Nuno Pereira presidente da Junta da União de Freguesias de Felgueiras e Feirão), Maria da Assunção Severino, da freguesia de Felgueiras, e Anabela Lamego, de Rossas (um lugarejo da freguesia de Ovadas).
As três faziam parte da associação AFOPADIS, criada por volta de 2003 em Felgueiras, para ensinar jovens e mulheres a fazer rendas, bordados e tecidos, conta o padre e historiador Joaquim Correia Duarte. A associação era dirigida pela professora Matilde Rocha Almeida, da mesma freguesia. A escola funcionava onde é, atualmente, a sede da Junta da União de Freguesias de Felgueiras e Feirão.
No museu de Resende…
Um antigo tear manual do mesmo modelo, utilizado para tecer mantas e colchas de algodão, linho e retalhos de tecidos usados, encontra-se em exposição no Museu Municipal de Resende. Trata-se de uma peça artesanal inteiramente confeccionada em madeira.
É difícil saber com precisão a data de fabricação deste tipo de tear, explica padre Joaquim no livro Cidades e Resendes: Uma viagem por Portugal continental, arquipélago dos Açores, Minas Gerais e Cabo Verde. “Esse e outros eram muito usados pelas tecedeiras desta região e do país, desde remotas eras. De minha recordação, em meados do século passado, em todas as freguesias deste concelho havia uma, duas ou mais tecedeiras que faziam, por encomenda, ´mantas de farrapos´ para as camas, colchas de linho e algodão (algumas muito decoradas e cheias de beleza e arte) e toalhas de mesa”.
Nos Açores…
Para padre Joaquim, o tear pode ter sido levado por emigrantes do norte de Portugal para os Açores e daí para o Brasil. Na ilha de Santa Maria, nos Açores, a Cooperativa de Artesanato Santa Maria, na Freguesia de Santo Espírito, mantém a tradição, com a confecção de mantas (tipo colchas), tapetes, passadeiras e carpetes, utilizando retalhos de panos em teares manuais. Na ilha Santa Maria, esta é uma atividade tipicamente rural, diz Eduarda Bairos, uma das sócias da cooperativa, no livro Cidades e Resendes.
Os produtos de retalhos estão presentes na ilha desde os primeiros colonizadores. No passado, o tear era mais rústico. Já o tear de hoje tem, por exemplo, pente de inox, que substituiu o pente de bambu. Além de usar o retalho, a cooperativa também produz colchas de lã, painéis de linho e outros produtos em tear manual. Nos teares da cooperativa também são produzidos trajes de grupos folclóricos, principalmente de lã. Uma referência à criação de ovelhas que antecedeu aos colonizadores no início do povoamento da ilha.
Em Resende Costa…
O mesmo tear manual de madeira encontra-se em Resende Costa, Minas Gerais, desde os tempos do Brasil-Colônia. Hoje, a principal atividade econômica da cidade é justamente a confecção de produtos artesanais no tear manual, desde tapetinhos a colchas e almofadas, passando por variada gama de peças. Conhecida como a “Capital Nacional do Artesanato Têxtil”, Resende Costa deu um salto no seu desenvolvimento, na década de 1980, com a migração do artesanato da zona rural para a cidade.
Com o novo impulso, Resende Costa tornou-se conhecida em todo o país e uma atração para turistas e comerciantes. Tanto que, este ano, realizou com sucesso a sua XII Mostra de Artesanato e Cultura, consolidando-se como uma vitrine da produção local. Entre março e junho deste ano, a cidade recebeu a média de dois mil visitantes por mês, com destaque para o mês de junho quando aconteceu o evento. Atualmente, a cidade possui cerca de 130 lojas de artesanato, em torno das quais gira uma economia pujante.

