Sou discípulo do Gamaliel
14 de Janeiro de 2010, por João Magalhães 0
Já recebi de três fontes diferentes um e-mail, concitando-me a assinar uma lista, pedindo que se proíba no Brasil, a exibição de um filme “Corpus Christi” (Corpo de Cristo) que já foi peça teatral nos EUA. Textualmente: “Você aceita juntar o seu nome no fim da lista? Em caso afirmativo poderíamos evitar a projeção deste filme no Brasil e até em outros países... Precisamos de muitos nomes para evitar a projeção do filme...” Não forneço mais detalhes, senão entro em contradição com o que escrevo a seguir.
Já aderi a muitas listas, mas nunca pus meu nome em abaixo-assinados pedindo censura e espero jamais fazê-lo
Censores e seus asseclas, cedo ou tarde, entram no painel dos ridículos da História. Censura é atraso, é prepotência, é apropriação da verdade. As coisas polêmicas se solucionam com conhecimento, com informação, com abertura, com análise, com participação dialogal. Além do mais, acho a censura, burra. Muito rápido, o tiro sai pela culatra. Desde a alegoria bíblica de Eva comendo a maçã (fruta, aliás que a Bíblia não menciona), que o proibido, o vetado, o censurado, atraem.
Proibir é uma excelente forma de propagar. Lembro-me de nossa ânsia em assistir ao filme de Godard “Je vous salue, Marie” (Eu vos saúdo, Maria), proibido no Brasil pelo presidente Sarney, fazendo coro com maioria da hierarquia católica (1986). Pelo jeito, ele pouco mudou, como mostra a censura que está impondo, junto com seu filho Fernando, ao jornal “O Estado de S. Paulo” . Pergunto: o filme afetou em alguma coisa o culto católico à Virgem Maria? O mesmo se diga de “A última Tentação de Cristo” de Martin Scorsese. “O Evangelho segundo Jesus Cristo” de Saramago teria o sucesso que teve, não fosse a gritaria em torno dele? Essa mesma gritaria elevará, acho eu, a vendagem do seu “Caim”.
Sou partidário do sábio Gamaliel. O Sinédrio, tribunal de notáveis da Judéia na época de Cristo, está reunido para julgar os apóstolos que ousavam questionar suas verdades. “Fremiam de ódio e pretendiam matá-los” (At 5,33) “Então, levantou-se, no sinédrio, certo fariseu chamado Gamaliel (aliás, mestre de Paulo apóstolo - At 22,3) e falou: “...agora, portanto, digo-vos, deixai de ocupar-vos com estes homens. Soltai-os. Pois, se seu intento ou sua obra provém dos homens, destruir-se-á por si mesma; se vem de Deus, porém, não podereis destruí-la” (At 5,34-39). Parafraseando: se a obra tem valor, consistência, conteúdo, se contribui etc. não há censura que pode com ela. É uma questão de tempo. Se for o contrário, desfaz-se por si própria. Logo, por que censurar? É o que penso. E você?
([email protected])
Já aderi a muitas listas, mas nunca pus meu nome em abaixo-assinados pedindo censura e espero jamais fazê-lo
Censores e seus asseclas, cedo ou tarde, entram no painel dos ridículos da História. Censura é atraso, é prepotência, é apropriação da verdade. As coisas polêmicas se solucionam com conhecimento, com informação, com abertura, com análise, com participação dialogal. Além do mais, acho a censura, burra. Muito rápido, o tiro sai pela culatra. Desde a alegoria bíblica de Eva comendo a maçã (fruta, aliás que a Bíblia não menciona), que o proibido, o vetado, o censurado, atraem.
Proibir é uma excelente forma de propagar. Lembro-me de nossa ânsia em assistir ao filme de Godard “Je vous salue, Marie” (Eu vos saúdo, Maria), proibido no Brasil pelo presidente Sarney, fazendo coro com maioria da hierarquia católica (1986). Pelo jeito, ele pouco mudou, como mostra a censura que está impondo, junto com seu filho Fernando, ao jornal “O Estado de S. Paulo” . Pergunto: o filme afetou em alguma coisa o culto católico à Virgem Maria? O mesmo se diga de “A última Tentação de Cristo” de Martin Scorsese. “O Evangelho segundo Jesus Cristo” de Saramago teria o sucesso que teve, não fosse a gritaria em torno dele? Essa mesma gritaria elevará, acho eu, a vendagem do seu “Caim”.
Sou partidário do sábio Gamaliel. O Sinédrio, tribunal de notáveis da Judéia na época de Cristo, está reunido para julgar os apóstolos que ousavam questionar suas verdades. “Fremiam de ódio e pretendiam matá-los” (At 5,33) “Então, levantou-se, no sinédrio, certo fariseu chamado Gamaliel (aliás, mestre de Paulo apóstolo - At 22,3) e falou: “...agora, portanto, digo-vos, deixai de ocupar-vos com estes homens. Soltai-os. Pois, se seu intento ou sua obra provém dos homens, destruir-se-á por si mesma; se vem de Deus, porém, não podereis destruí-la” (At 5,34-39). Parafraseando: se a obra tem valor, consistência, conteúdo, se contribui etc. não há censura que pode com ela. É uma questão de tempo. Se for o contrário, desfaz-se por si própria. Logo, por que censurar? É o que penso. E você?
([email protected])
Heróis-mirins? Mau Negócio
13 de Dezembro de 2009, por João Magalhães 0
Dois fatos divulgados pela mídia. O mais antigo. Justamente por isso, não me lembro mais dos detalhes. A casa pega fogo, as labaredas envolvem tudo. Lá fora, os habitantes desesperados. Um garoto (parece-me de 6 ou 7 anos), incorporando o espírito dos super-heróis, usava a camiseta de um deles, se não me engano, o “homem- aranha”, lança-se nas chamas, invade o quarto e traz seu irmãozinho, são e salvo. Podia ter morrido. Momentos depois, vira celebridade, homenagens, festas, faixas, programas de TV etc.
O atual. Na pequena cidade paulista de Sales, às margens do rio Tietê , acreditem, despoluído e límpido. O garoto de 11 anos, Jeferson Aparecido, incomoda-se com as brigas entre seus pais. Devoto de N. Sra. Aparecida, numa visita ao santuário em junho, reza à Virgem, mentalmente, pedindo que seus pais não brigassem mais. Agora, 16 de outubro passado, - por entraves técnicos, do meu lado, esta matéria não saiu na edição passada -, o garoto disse aos pais que iria à rodoviária para se despedir de um colega que iria como romeiro a Aparecida num dos três ônibus fretados. Não voltou para casa. A mãe, desesperada, telefonou para uma amiga que viajava num deles, procurando saber se o guri estaria com eles. Na próxima parada, fez-se uma busca minuciosa nos coletivos, inclusive chamando-o pelo nome, e nada. O menino tinha entrado por baixo do ônibus e se escondido num espaço que há no eixo traseiro, deitando-se sobre o paralama interno, ao lado do tanque de gasolina. Enfrentou as 9 horas de viagem num percurso de 579 km, sofrendo o frio da madrugada e o calor das paradas, correndo o sério risco de cair no asfalto, pois diz que chegou a dormir. E apareceu glorioso, entre os romeiros, cheio de fuligem e enlameado de graxa. É claro, virou celebridade. Digno de um milagre de N.Sra. Aparecida. Mártir em potencial, pois arriscou a própria vida para a paz familiar. Homenagens pela cidade, o “herói” visitando escolas, exibindo-se para docentes e discentes, o prefeito (do DEM) aproveitando-se do fato para incrementar o turismo. E, claro, lá estava a produção do programa do Ratinho.
Tenho acompanhado fatos semelhantes e não li nem ouvi até agora um comentário sobre o perigo da heroificação de crianças. Nações preocupadas com uma boa educação infantil têm cobrado mais responsabilidade da mídia quanto ao tema e até legislado com rigor sobre o assunto. Não se pode manipular o imaginário infantil, a ingenuidade natural da criança. Muitos países já proibiram, via lei, a publicidade com crianças e para crianças. No Brasil, há projetos no Congresso, como sema agências publicitárias.
Transformar crianças agentes desses atos, inocentemente, devido a sua fase psicoimaginativa, em heróis, é temerário; solenizar esses feitos é irresponsabilidade, ainda mais vindo de instituições públicas. A mídia vive à cata de acontecimentos que dão audiência (ibope, como se diz), pois audiência é dinheiro; pouco importam a ética, a educação. Espera-se das pessoas que têm o senso do humano, que se preocupam com a sanidade social, uma reação contra esta espetacularização da vida, uma crítica a esses fenômenos e em vez de aplausos, protestos, porque, daqui a pouco, uma criança que escalar um poste de luz para salvar um animal nele enroscado, arriscando a ser eletrocutada, vai ser condecorada como heroína no momento seguinte. É o que penso. E você?
O atual. Na pequena cidade paulista de Sales, às margens do rio Tietê , acreditem, despoluído e límpido. O garoto de 11 anos, Jeferson Aparecido, incomoda-se com as brigas entre seus pais. Devoto de N. Sra. Aparecida, numa visita ao santuário em junho, reza à Virgem, mentalmente, pedindo que seus pais não brigassem mais. Agora, 16 de outubro passado, - por entraves técnicos, do meu lado, esta matéria não saiu na edição passada -, o garoto disse aos pais que iria à rodoviária para se despedir de um colega que iria como romeiro a Aparecida num dos três ônibus fretados. Não voltou para casa. A mãe, desesperada, telefonou para uma amiga que viajava num deles, procurando saber se o guri estaria com eles. Na próxima parada, fez-se uma busca minuciosa nos coletivos, inclusive chamando-o pelo nome, e nada. O menino tinha entrado por baixo do ônibus e se escondido num espaço que há no eixo traseiro, deitando-se sobre o paralama interno, ao lado do tanque de gasolina. Enfrentou as 9 horas de viagem num percurso de 579 km, sofrendo o frio da madrugada e o calor das paradas, correndo o sério risco de cair no asfalto, pois diz que chegou a dormir. E apareceu glorioso, entre os romeiros, cheio de fuligem e enlameado de graxa. É claro, virou celebridade. Digno de um milagre de N.Sra. Aparecida. Mártir em potencial, pois arriscou a própria vida para a paz familiar. Homenagens pela cidade, o “herói” visitando escolas, exibindo-se para docentes e discentes, o prefeito (do DEM) aproveitando-se do fato para incrementar o turismo. E, claro, lá estava a produção do programa do Ratinho.
Tenho acompanhado fatos semelhantes e não li nem ouvi até agora um comentário sobre o perigo da heroificação de crianças. Nações preocupadas com uma boa educação infantil têm cobrado mais responsabilidade da mídia quanto ao tema e até legislado com rigor sobre o assunto. Não se pode manipular o imaginário infantil, a ingenuidade natural da criança. Muitos países já proibiram, via lei, a publicidade com crianças e para crianças. No Brasil, há projetos no Congresso, como sema agências publicitárias.
Transformar crianças agentes desses atos, inocentemente, devido a sua fase psicoimaginativa, em heróis, é temerário; solenizar esses feitos é irresponsabilidade, ainda mais vindo de instituições públicas. A mídia vive à cata de acontecimentos que dão audiência (ibope, como se diz), pois audiência é dinheiro; pouco importam a ética, a educação. Espera-se das pessoas que têm o senso do humano, que se preocupam com a sanidade social, uma reação contra esta espetacularização da vida, uma crítica a esses fenômenos e em vez de aplausos, protestos, porque, daqui a pouco, uma criança que escalar um poste de luz para salvar um animal nele enroscado, arriscando a ser eletrocutada, vai ser condecorada como heroína no momento seguinte. É o que penso. E você?
O Verso e Controverso
09 de Outubro de 2009, por João Magalhães 0
As catástrofes também aniversariam. Agora, em setembro, a maior tragédia do séc. XX fez 70 anos: a segunda guerra mundial. Li, na reportagem do José Venâncio no JL, a interessante entrevista com o Francisquinho da Jardineira e sobre sua luta para preservar a memória de nossos pracinhas da FEB, infelizmente nunca endossada pela nossa cidade, mãe de vários deles. Nas crônicas de nosso companheiro Rafael, seu lema-leit motiv final: “Estamos em campanha por um monumento em homenagem aos ex-combatentes resende-costenses” sempre me açulou a curiosidade. Seria brincadeira? Ironia? Ou cutucada nos poderes públicos de Resende Costa?
Dois comportamentos, pesarosamente, me impressionam em nosso município: seu pouco apreço pelo verde e a fraca reverência a seus personagens. Nossa cidade é pouco arborizada, embora tenha o raro privilégio de rodear um belo bosque com vegetação nativa, como, certa vez, nosso amigo Chiquinho do Góes conversava comigo.Até agora, só ficou no tombamento. Lembro-me da administração do Dr. Luiz. Plantou árvores na rua Sete (nossa popular, tradicional e antiga “caba fubá”) e os transeuntes (moradores também?) destroçaram tudo, em pouco tempo.
O Rio de Janeiro, depois do sucesso da estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade, assentado em um banco em Copacabana (quase sempre míope, pois a ladroagem insiste em roubar-lhe os óculos ... ) passou a espalhar estátuas pelos seus logradouros, sem critério algum (como polemizam alguns esteticistas e urbanistas). Em antítese com aquela cidade, inexiste em nossa urbe o costume de homenagear personalidades ou eventos significativos, perenizando-os em locais públicos.
Recentemente, comentava com André Eustáquio, nosso amigo e ex-redator chefe do JL: Resende Costa praticamente não tem monumentos públicos. Só conheço a herma de Rosa Penido, lá na praça do Assis Resende, que vive pichada! Fora isso, há nas lajes de cima, uma placa comemorativa da perfuração do poço artesiano, montada sobre dois cilindros da rocha. Os dizeres estão parcialmente ilegíveis.
Voltando ao assunto e finalizando. Os expedicionários resende-costenses ficaram na memória de nós, mais velhos. Acho que a lembrança mais remota que tenho no cérebro foi a da recepção calorosa que a população deu a eles em 1946. Nós, muito crianças, perfilados no passeio da praça Francisco Mendes, acenando com bandeirinhas do Brasil. E eles desfilando em direção aos “quatro cantos”. Guardo, até hoje, uma frustração: era meu projeto entrevistar o Zé Mendonça, ex-combatente e meu primo segundo. Adiei, adiei...e ele partiu.
Francisquinho da Jardineira tem razão, algumas cidades nossas vizinhas já os honraram. Resende Costa está devendo. Muitos de seus descendentes diretos vivem entre nós. Certamente colaborarão, quem sabe até liderando. Seria um marco importante para a cultura histórica do município. Tomara que a nova administração, legislativa e executiva, se sensibilize. Nossas forças pedagógicas, entidades, instituições etc, hão de se engajar. O JL, cujo propósito primordial é promover nossa terra, creio eu, estará na linha de frente dessa batalha. É o que penso. E você?
Dois comportamentos, pesarosamente, me impressionam em nosso município: seu pouco apreço pelo verde e a fraca reverência a seus personagens. Nossa cidade é pouco arborizada, embora tenha o raro privilégio de rodear um belo bosque com vegetação nativa, como, certa vez, nosso amigo Chiquinho do Góes conversava comigo.Até agora, só ficou no tombamento. Lembro-me da administração do Dr. Luiz. Plantou árvores na rua Sete (nossa popular, tradicional e antiga “caba fubá”) e os transeuntes (moradores também?) destroçaram tudo, em pouco tempo.
O Rio de Janeiro, depois do sucesso da estátua do poeta Carlos Drummond de Andrade, assentado em um banco em Copacabana (quase sempre míope, pois a ladroagem insiste em roubar-lhe os óculos ... ) passou a espalhar estátuas pelos seus logradouros, sem critério algum (como polemizam alguns esteticistas e urbanistas). Em antítese com aquela cidade, inexiste em nossa urbe o costume de homenagear personalidades ou eventos significativos, perenizando-os em locais públicos.
Recentemente, comentava com André Eustáquio, nosso amigo e ex-redator chefe do JL: Resende Costa praticamente não tem monumentos públicos. Só conheço a herma de Rosa Penido, lá na praça do Assis Resende, que vive pichada! Fora isso, há nas lajes de cima, uma placa comemorativa da perfuração do poço artesiano, montada sobre dois cilindros da rocha. Os dizeres estão parcialmente ilegíveis.
Voltando ao assunto e finalizando. Os expedicionários resende-costenses ficaram na memória de nós, mais velhos. Acho que a lembrança mais remota que tenho no cérebro foi a da recepção calorosa que a população deu a eles em 1946. Nós, muito crianças, perfilados no passeio da praça Francisco Mendes, acenando com bandeirinhas do Brasil. E eles desfilando em direção aos “quatro cantos”. Guardo, até hoje, uma frustração: era meu projeto entrevistar o Zé Mendonça, ex-combatente e meu primo segundo. Adiei, adiei...e ele partiu.
Francisquinho da Jardineira tem razão, algumas cidades nossas vizinhas já os honraram. Resende Costa está devendo. Muitos de seus descendentes diretos vivem entre nós. Certamente colaborarão, quem sabe até liderando. Seria um marco importante para a cultura histórica do município. Tomara que a nova administração, legislativa e executiva, se sensibilize. Nossas forças pedagógicas, entidades, instituições etc, hão de se engajar. O JL, cujo propósito primordial é promover nossa terra, creio eu, estará na linha de frente dessa batalha. É o que penso. E você?
Brasil importa lixo. Prefeitura é culpada.
12 de Setembro de 2009, por João Magalhães 0
Vou logo avisando ao amigo leitor que meu assunto não são os 71 contêineres de lixo que duas firmas inglesas enviaram para o Brasil com documentação falsa. Estavam etiquetados como plástico reciclável, mas o que havia era lixo doméstico e até lixo hospitalar... e que só agora o Brasil devolveu.
Porém, que o Brasil importa lixo, lamentavelmente importa! Desde janeiro de 2008, foram 223 mil toneladas a um custo de 257 milhões de dólares, aproximadamente. E deixou de ganhar 12 bilhões de dólares por não reciclar seu lixo. O país deixa de reciclar 78% dos resíduos sólidos, recicláveis, é claro.
A indústria nacional que utiliza material reciclado como matéria- prima absorve mais do que o país consegue coletar e reciclar; mesmo importando, as empresas de reciclagem ainda têm 30% de capacidade ociosa por falta de material para recicle. Um exemplo: 40%, ou mais, do PET reciclado é absorvido pela nossa indústria têxtil na fabricação de fios e fibras; duas garrafas PET dão uma blusa. E o Brasil joga nos lixões 50% deste vasilhame! Por quê? Por falta de coleta seletiva. E nós assistimos aos EUA exportando 80% de seus descartados eletrônicos, porque é mais vantajoso que reciclá-los, lá.
Embora irônico, acho que faz sentido o comentário de Sabetai Calderoni, presidente do Instituto Brasil Ambiente, consultor da ONU e do Banco Mundial e autor do livro “Os bilhões perdidos no lixo”: “Se existisse uma política nacional de reciclagem não seria preciso Bolsa Família. O dinheiro do lixo renderia aos brasileiros o mesmo beneficio, além de emprego”. A gestão e administração do lixo é uma obrigação constitucional do município, portanto a Prefeitura é culpada por esta situação. Ficou célebre, em São Paulo, o comentário de um antigo governador popularesco: “obra enterrada, não rende” (voto é claro), que, depois, espalhou-se por todo Brasil. Referia-se a saneamento básico. Acho que coleta seletiva e reciclagem de lixo, também, não dão voto. O leitor conhece algum município que esteja fazendo isto de modo correto? Sou partidário de um certo radicalismo. O município, após investir num sistema tecnicamente firmado na coleta e tratamento do lixo; após fornecer os meios (por exemplo locais, recipientes etc.) aos munícipes; após intensas e permanentes campanhas educativas, deveria recusar-se a recolher o lixo de quem não o separar corretamente, sujeitando-o inclusive a algum tipo de punição.
Enquanto isso, uma salva de palmas aos, atualmente, desrepresentantes do povo brasileiro! Embolora no Congresso Nacional, desde 1991, o Projeto de Lei para uma Política Nacional de resíduos sólidos que normatiza a reciclagem e regulamenta a obrigatoriedade dos municípios na coleta seletiva. É o que penso. E você?
(Credito os dados ao
Porém, que o Brasil importa lixo, lamentavelmente importa! Desde janeiro de 2008, foram 223 mil toneladas a um custo de 257 milhões de dólares, aproximadamente. E deixou de ganhar 12 bilhões de dólares por não reciclar seu lixo. O país deixa de reciclar 78% dos resíduos sólidos, recicláveis, é claro.
A indústria nacional que utiliza material reciclado como matéria- prima absorve mais do que o país consegue coletar e reciclar; mesmo importando, as empresas de reciclagem ainda têm 30% de capacidade ociosa por falta de material para recicle. Um exemplo: 40%, ou mais, do PET reciclado é absorvido pela nossa indústria têxtil na fabricação de fios e fibras; duas garrafas PET dão uma blusa. E o Brasil joga nos lixões 50% deste vasilhame! Por quê? Por falta de coleta seletiva. E nós assistimos aos EUA exportando 80% de seus descartados eletrônicos, porque é mais vantajoso que reciclá-los, lá.
Embora irônico, acho que faz sentido o comentário de Sabetai Calderoni, presidente do Instituto Brasil Ambiente, consultor da ONU e do Banco Mundial e autor do livro “Os bilhões perdidos no lixo”: “Se existisse uma política nacional de reciclagem não seria preciso Bolsa Família. O dinheiro do lixo renderia aos brasileiros o mesmo beneficio, além de emprego”. A gestão e administração do lixo é uma obrigação constitucional do município, portanto a Prefeitura é culpada por esta situação. Ficou célebre, em São Paulo, o comentário de um antigo governador popularesco: “obra enterrada, não rende” (voto é claro), que, depois, espalhou-se por todo Brasil. Referia-se a saneamento básico. Acho que coleta seletiva e reciclagem de lixo, também, não dão voto. O leitor conhece algum município que esteja fazendo isto de modo correto? Sou partidário de um certo radicalismo. O município, após investir num sistema tecnicamente firmado na coleta e tratamento do lixo; após fornecer os meios (por exemplo locais, recipientes etc.) aos munícipes; após intensas e permanentes campanhas educativas, deveria recusar-se a recolher o lixo de quem não o separar corretamente, sujeitando-o inclusive a algum tipo de punição.
Enquanto isso, uma salva de palmas aos, atualmente, desrepresentantes do povo brasileiro! Embolora no Congresso Nacional, desde 1991, o Projeto de Lei para uma Política Nacional de resíduos sólidos que normatiza a reciclagem e regulamenta a obrigatoriedade dos municípios na coleta seletiva. É o que penso. E você?
(Credito os dados ao
Padre João Martello, camiliano
16 de Agosto de 2009, por João Magalhães 2

Hoje, só o verso. Sempre digo que se você quiser saber sobre tudo o que aconteceu de importante em Resende Costa, de 2003 para cá, consulte nosso querido JL, que completou em julho suas bodas de diamante de circulação (75 edições). Digo isto com a tranquilidade de quem faz parte de sua família, de leitura e de participação, desde sua 2ª. edição (maio, 2003), cujo editorial redigi.
Faltava registrar no quadro dos benfeitores de Resende Costa a figura do Pe. João Martello. Nossa cidade deve muito a ele a presença das Irmãs Camilianas na direção do Hospital e mais tarde do Asilo.
1950. Meu pai chegou da missa. Lá na cozinha de casa, no fim do arruado do Tijuco (hoje, bairro), contou para minha mãe - “Maria, celebrou a missa um padre meio esquisito (e eu, aos quase 10 anos, ouvindo como se fosse hoje). Entrou na igreja, todo mundo ficou olhando. Uma batina preta sem botõezinhos, uma faixa preta, larga, com um terço muito comprido pendurado (rosário) e no peito, uma cruz vermelha muito grande. Fez uma prática entusiasmada” (sinônimo na época de bom pregador).
Depois, ele visitou o Assis Resende, recrutando garotos para o Seminário São Camilo. Dez se apresentaram. Fomos fotografados por ele; primeiro só nós, depois, junto com as professoras e a diretora do Assis, nas lajes da matriz (tenho as duas fotos para quem quiser ver).
Só dois foram para o seminário, na ocasião: O Toninho do Quinzinho (Antônio Pinto de Góes e Lara), que foi antes e eu, levado por ele em 1952, quando, a convite de padre Nélson, veio pregar a Semana Santa, com sucesso absoluto, grande pregador que era. João Martello. Os mais velhos de RC lembram-se dele, sobretudo quem foi seminarista camiliano. Nasceu a 31/08/1924, em Caçador, cidade catarinense. Entrou para a Ordem de São Camilo, cujo fim específico é a pastoral dos enfermos. Nasceu com o talento da palavra e da comunicação. Formou-se em jornalismo na “Cásper Líbero” (na época a melhor faculdade jornalismo de SP). Por muito tempo transmitiu a Missa Dominical pela Rádio Record/SP, depois pela Rádio Clube de Santos. Por muito tempo dirigiu a revista da Ordem Camiliana: “A Cruz Misteriosa”, endereçada aos doentes (tive a honra de substituí-lo). Lembro-me de que no último número sob sua editoria, publicamos a famosa e fundamental encíclica do papa João XXIII: “Mater et Magistra”.
O mais importante para Resende.Costa e que motiva esta matéria no JL: a partir de 1952, batalhou muito em São Paulo, intermediando as negociações que padre Nélson. e equipe tentavam para que a Congregação das Irmãs Camilianas assumisse a direção da Santa Casa, hoje hospital. O êxito deve-se bastante a sua atuação.
Na crise pós Concílio Vaticano II, como tantos outros, a pedido, foi dispensado de suas funções clericais. Deixou o ministério, mas continuou batalhando pela causa de Deus. “Partiu” em 18/12/98 e na missa de 7º dia, eu e o Francisco de Assis Resende, (levados ao seminário por ele), representamos Resende Costa e falamos do altar aos participantes. Foi uma vida para o bem na sua trajetória terrena e prova disso é o acróstico de sua filha que transcrevo:
“Juntos, sempre juntos,
Oremos ao Senhor.
A nossa eterna gratidão, e,
O nosso eterno amor.
Mais do que palavras, ficaram os
Atos, gestos, carinho e
Respeito que nos ensinastes a ter.
Teu nome reinará sempre em nossos corações.
Esperança de algum dia podermos nos reencontrar
Levanta as nossas forças para continuar a viver, mas, as
Lembranças do senhor sempre nos acompanharão.
Oremos ao Senhor!”
(Maria Raquel)
Faltava registrar no quadro dos benfeitores de Resende Costa a figura do Pe. João Martello. Nossa cidade deve muito a ele a presença das Irmãs Camilianas na direção do Hospital e mais tarde do Asilo.
1950. Meu pai chegou da missa. Lá na cozinha de casa, no fim do arruado do Tijuco (hoje, bairro), contou para minha mãe - “Maria, celebrou a missa um padre meio esquisito (e eu, aos quase 10 anos, ouvindo como se fosse hoje). Entrou na igreja, todo mundo ficou olhando. Uma batina preta sem botõezinhos, uma faixa preta, larga, com um terço muito comprido pendurado (rosário) e no peito, uma cruz vermelha muito grande. Fez uma prática entusiasmada” (sinônimo na época de bom pregador).
Depois, ele visitou o Assis Resende, recrutando garotos para o Seminário São Camilo. Dez se apresentaram. Fomos fotografados por ele; primeiro só nós, depois, junto com as professoras e a diretora do Assis, nas lajes da matriz (tenho as duas fotos para quem quiser ver).
Só dois foram para o seminário, na ocasião: O Toninho do Quinzinho (Antônio Pinto de Góes e Lara), que foi antes e eu, levado por ele em 1952, quando, a convite de padre Nélson, veio pregar a Semana Santa, com sucesso absoluto, grande pregador que era. João Martello. Os mais velhos de RC lembram-se dele, sobretudo quem foi seminarista camiliano. Nasceu a 31/08/1924, em Caçador, cidade catarinense. Entrou para a Ordem de São Camilo, cujo fim específico é a pastoral dos enfermos. Nasceu com o talento da palavra e da comunicação. Formou-se em jornalismo na “Cásper Líbero” (na época a melhor faculdade jornalismo de SP). Por muito tempo transmitiu a Missa Dominical pela Rádio Record/SP, depois pela Rádio Clube de Santos. Por muito tempo dirigiu a revista da Ordem Camiliana: “A Cruz Misteriosa”, endereçada aos doentes (tive a honra de substituí-lo). Lembro-me de que no último número sob sua editoria, publicamos a famosa e fundamental encíclica do papa João XXIII: “Mater et Magistra”.
O mais importante para Resende.Costa e que motiva esta matéria no JL: a partir de 1952, batalhou muito em São Paulo, intermediando as negociações que padre Nélson. e equipe tentavam para que a Congregação das Irmãs Camilianas assumisse a direção da Santa Casa, hoje hospital. O êxito deve-se bastante a sua atuação.
Na crise pós Concílio Vaticano II, como tantos outros, a pedido, foi dispensado de suas funções clericais. Deixou o ministério, mas continuou batalhando pela causa de Deus. “Partiu” em 18/12/98 e na missa de 7º dia, eu e o Francisco de Assis Resende, (levados ao seminário por ele), representamos Resende Costa e falamos do altar aos participantes. Foi uma vida para o bem na sua trajetória terrena e prova disso é o acróstico de sua filha que transcrevo:
“Juntos, sempre juntos,
Oremos ao Senhor.
A nossa eterna gratidão, e,
O nosso eterno amor.
Mais do que palavras, ficaram os
Atos, gestos, carinho e
Respeito que nos ensinastes a ter.
Teu nome reinará sempre em nossos corações.
Esperança de algum dia podermos nos reencontrar
Levanta as nossas forças para continuar a viver, mas, as
Lembranças do senhor sempre nos acompanharão.
Oremos ao Senhor!”
(Maria Raquel)