O Verso e o Controverso

Benzedores e curandeiros em Resende Costa: Emygdio do Bengo (Sô Emygdio) (I)

13 de Dezembro de 2011, por João Magalhães 0

Emygdio do Bengo

Depois do Barbosinha, cuja memória já gravamos nas edições 39 e 40 deste jornal e também no livro da Coleção Lageana “Um olhar sobre Resende Costa” (p.383-388) não padece dúvida que Sô Emygdio foi o maior médico - não-médico - que já clinicou em Resende Costa, embora nunca tenha residido aqui.
 
Dificilmente encontrar-se-á uma pessoa daqui, nascida da década de 1940 para trás, que não tenha ouvido falar dele. Boa parte, inclusive, foi atendida por ele. Os numerosos casos e testemunhos mostram o fenômeno que ele foi. Tão marcante, que justificou um capítulo no livro de conhecidos memorialistas de nosso burgo: Gentil Vale (“Imídio do Bengo” in “Ecos de ontem”, p.48/49) e Therezinha Hannas Guimarães (cap. XIV e XV do seu “Lembranças Esparsas”, p.75/79)
 
Este redator lembra-se, em sua infância lá no bairro do Tejuco, de portadores de bilhetes, lista de pessoas doentes, pedidos de remédios, de receitas, para Sô Emygdio.
 
Sua descendente Adolfina Calsavara Lima, 74, esposa do Nélson tratorista, que vive entre nós (cuja colaboração agradecemos) e que viveu com ele em sua juventude, lembra-se do povo de Resende Costa, chegando para as consultas, lá no Bengo.
 
Nesta edição, como o espaço só me autoriza um pouco de sua biografia, priorizo os traços que o retratam melhor como um ser humano de excelência, ficando para o próximo número, o Sô Emygdio médico, benzendo e curando.
 
Emygdio Apollinário dos Passos Moraes nasceu em São João del-Rei, MG, aos 24 de julho de 1876, filho de Severiano José Tibúrcio e Maria das Dores de Jesus, moradores na localidade da Colônia do Bengo, ali perto de um dos atuais câmpus da UFSJ, na rodovia São João/São Tiago.
 
Casou-se em 27 de abril de 1901, na matriz do Pilar em São João del-Rei, com Maria Luiza Calsavara, imigrante italiana (região de Trento).
 
Do casamento, três filhos: Antônio Trindade, João Anastácio e Ana Bárbara, mas a família era maior, pois, cuidaram como entes familiares com amor e carinho de Aristides Nascimento Silva, Elza Vieira e Célia José de Azevedo.
 
Com o falecimento de sua esposa, foi levado para Belo Horizonte por sua filha Ana Bárbara, onde faleceu, com 81 anos, no dia 23 de fevereiro de 1958. Seu corpo foi trasladado para São João del-Rei e sepultado no cemitério Nossa Senhora das Mercês.
 
A vida de Emygdio, além das curas e bênçãos, caracterizou-se também por uma profunda religiosidade. Católico de jejum, de retiro espiritual e de atuação nas festividades, foi provedor durante muitos anos da Semana Santa na Matriz do Pilar e na igreja do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, de cuja construção participou.
 
Ardoroso devoto de Santo Antônio, ergueu inicialmente um cruzeiro, próximo a sua casa lá no Bengo, onde à tarde reunia parentes e amigos para a reza do terço. Depois, aí pela década de 1900/1910, desenvolve a grande obra religiosa de sua vida: a construção da atual Capela de Santo Antônio do Bengo, hoje sob os cuidados da comunidade do Bengo e sob coordenação dos padres Salesianos, cujo centenário foi comemorado em 2005.
 
“Construção simples, feita de pedra sabão e barro. Construída por etapas. Sr. Emygdio idealizou a construção de duas torres na capela, mas somente uma conseguiu completar. Esta capela é composta de um altar mor e dois altares laterais. O altar mor era todo talhado em madeira com entalhes e contornos, tendo sido fabricado pelo Sr. Marcelo Cipriani. A capela era rica em prataria: 6 castiçais, 8 jarras com florões. Possuía um lustre de cristal colorido na nave central e ainda  um sino de bronze, infelizmente roubado na década de 60.  Possuía belas imagens:   de seu padroeiro Santo Antônio em madeira, imagem de Sant’Ana e de São João Batista” 
 
Esta capela, “hoje graças à bondade de diversas pessoas, se encontra nas condições de atender à comunidade e servir a todos os devotos de Santo Antônio”, mas passou por uma saga de tropeços, desde a intenção de demoli-la da parte de um padre, frustrada pela movimentação da comunidade do Sô Emygdio que a recuperou em 1979, passando pelo roubo da imagem de Santo Antônio e a danificação de outras (1989), até um incêndio parcial em 1990.
 
Emygdio era também amante da música. Criou uma pequena banda, formada por amigos e parentes e mandou fabricar também um harmônio, “que seria dedilhado por sua filha Ana Bárbara em todas as cerimônias religiosas. Esse harmônio ainda se encontra na capela do Bengo”.
 
“As festas de Santo Antônio, Sant’Ana e São João Batista eram organizadas por ele, com muita piedade e devoção, sempre ajoelhado à frente do altar. Todas essas celebrações eram realizadas com muito respeito, muita fé, queima de fogos de artifício e bastante concorridas por toda circunvizinhança. Tinha a participação também da orquestra Joaquim Ramalho de Tiradentes e da banda Santa Cecília de São João del-Rei. Era uma apoteose”(*)
 
(*) Os trechos entre aspas acima foram retirados da publicação “Centenário da Capela de Santo Antônio do Bengo” (edição particular dos familiares, 2005). Agradecemos à Senhora Adolfina Calsavara Lima, 74 e à senhora Matilde Moraes Mission, 85, sua neta, pelas informações.
 
(**) Leitores que tiveram conhecimento ou alguma experiência com nossos benzedores e curadores do passado, colaborem com nossa história. Comuniquem-se conosco ([email protected]).

Benzedores e curandeiros em Resende Costa

11 de Novembro de 2011, por João Magalhães 0

Desde o momento em que o homem se distancia dos outros animais pela evolução de sua capacidade racional, pelo poder de generalização e abstração, por uma evolução da autoconsciência, que o põe ciente de seus mistérios, de suas angústias, de suas dores e de suas esperanças, aparece a figura do adivinho, do cartomante, do intermediário entre forças misteriosas e desconhecidas, corporificadas em divindades, do curador de males físicos e morais, do exorcista que afugenta maus espíritos, do benzedor que canaliza os fluxos benignos.

Presentes desde o alvorecer de todas as civilizações, espaço e tempo apenas diferenciam suas formas de atuação, de estilo, de ritual, mas o conteúdo é essencialmente o mesmo. Praticam a cura de males físicos e de males psíquicos. Por isso sempre tiveram um papel social muito relevante em todas as sociedades e ainda o têm.

A evolução científica foi aos poucos circunscrevendo sua atuação, limitando e até reprimindo. Mas continuam porque são messias alimentadores de esperança ante as limitações da ciência e são amparo dos desvalidos economicamente, pois, frequentemente, nada cobram e suas receitas, quando prescrevem, cabem no bolso de todos.

Como praticam o ritual da cura, sua atuação quase sempre se prende ao religioso próprio e ao de seus consulentes. Inclusive, são vítimas de preconceitos, incompreensões e até de perseguições violentas. De qualquer maneira, suas bênçãos, receitas e orientações surtem algum afeito, têm alguma eficácia. Do contrário, não teriam a popularidade que tiveram e têm.

A própria ciência médica, agora, está modificando sua posição, evoluindo para reconhecer seu valor como terapia auxiliar, ou complementar, acolhendo até essas práticas como objeto de estudos.

Alguns exemplos. Revista Veja (21 de setembro de 2011, p.86): “Padres, rabinos médiuns, sempre entraram e saíram pela porta dos fundos” diz o mestre de reiki, (espécie de terapia através da imposição de mãos) Plínio Cutait, coordenador do departamento de Cuidados Integrativos do Hospital Sírio-Libanês (hospital de referência científica em São Paulo). Só recentemente a medicina passou a reconhecer a existências de tais práticas. Há três anos, Cutait lidera uma equipe multidisciplinar que aplica técnicas até pouco tempo atrás nunca vistas num ambiente hospitalar: massagens, meditação e quiropraxia, entre outras. Trabalho semelhante é realizado, há cinco anos, pelo médico Paulo de Tarso Lima, no setor de oncologia do Hospital Albert Einstein (também outra referência em São Paulo).

Ainda, segundo a revista, em 1991 o médico americano Brian Berman criou o primeiro Centro de Medicina Integrativa dos Estados Unidos na Universidade de Maryland, primeira instituição de ensino nos EUA a abrir portas às terapias complementares ou alternativas. Hoje são aproximadamente 42 clínicas, algumas ligadas a instituições conceituadíssimas, como Harvard, Yale, Clínica Mayo, John Hopkins etc.

Em 1999, fundou-se o Programa de Saúde Espiritualidade e Religiosidade (ProSER) no Departamento de Psiquiatria da USP. O chefe deste departamento, Eurípides Miguel, explica: “A medicina está se movendo de um eixo (que tinha como meta combater a doença) para outro (que privilegia a promoção da saúde). Estamos interessados em qualquer método que possa ajudar as pessoas, mesmo que fuja de nossos padrões” (Superinteressante, nº 216, outubro de 2011, p.58).

Esses parágrafos introdutórios são para justificar uma sequência de reportagens sobre os benzedores e curandeiros que tiveram uma atuação muito influente em Resende Costa. Nosso intuito é registrar esse aspecto da cultura social e medicinal de nosso município.

Cumprindo uma das finalidades originais do JL, nossa perspectiva é histórica. Portanto, escreveremos somente sobre os já falecidos. Será sempre expositiva. Em nenhum momento, analítica. Procuraremos abrir para o leitor mais esta janela de nossa história.

Começaremos, no próximo número, com o mais conhecido e talvez o mais importante curador de nossa região: Emídio do Bengo, o famoso Sô Emídio. Está na memória e na vivência de todos os mais idosos de nossa terra. Não nasceu aqui, mas sua atuação foi tão marcante que, por anos e anos, nosso município o assumiu como seu grande “médico”.

Pedimos aos nossos leitores que tiveram alguma experiência ou conhecimento com nossos benzedores e curadores que se comuniquem conosco, pessoalmente ou por vias eletrônicas. Será uma excelente colaboração para nossa história.

([email protected])

Confessar-se ateu ainda é muito perigoso!

11 de Outubro de 2011, por João Magalhães 0

Não é intenção deste comentário debater ateísmo, crença em Deus, fé, agnosticismo etc. Nem problematizar a questão dos preconceitos que, por enquanto, parecem-me inerentes à condição humana. Até hoje, o passado não os viu desaparecer. O futuro verá?

Pretende, sim, questionar e debater discriminação - ações e/ou atitudes, comandadas exclusivamente por prevenções e preconceitos. Por que se discriminam a mulher, o homossexual, o diferente por raça, por classe social, por credo, o não-crente, o deficiente, senão pelo preconceito?  Contra segregações, separações, intolerâncias, há que se travar luta feroz e contínua.

Li na imprensa a seguinte notícia: “A suposta veiculação de mensagens ofensivas contra ateus motivou uma ação civil pública do Ministério Público Federal contra a emissora RedeTV! e a Igreja Internacional da Graça de Deus. Segundo a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo, durante o programa O Profeta da Nação, que foi ao ar em 10 de março último, o apresentador João Batista afirmou: “Chega para frente em nome de Deus. Só quem acredita em Deus pode chegar para frente. Quem não acredita em Deus pode ir para bem longe de mim, porque a pessoa que não acredita em Deus é perigosa. Ela mata, rouba e destrói. O ser humano que não acredita em Deus atrapalha qualquer um. Mas quem acredita em Deus está perto da felicidade”

Infelizmente, o conceito de que o não-religioso e sobretudo o ateu não merecem confiança, não são éticos, não têm moral, não têm espiritualidade, ainda está  arraigado numa grande porcentagem da população. Li uma enquete, por este tempo, na qual se mostra que seria mais fácil um candidato gay ganhar para presidente da república do que um candidato que se confessasse ateu. Portanto, comparando o preconceito contra o ateu com o preconceito contra o homossexual, o ateu é considerado mais pernicioso. Isso já aconteceu. Um candidato a prefeito de São Paulo perdeu a eleição, praticamente vitoriosa, porque no último debate revelou-se ateu.

Achar que moralidade, honestidade, ética, lealdade, caráter, humanismo, benemerência, são propriedades características, ou seja, apanágio, só dos crentes, dos religiosos, é um tremendo preconceito e uma ignorância maior ainda. Qualquer conhecedor simples das inquisições católicas e não católicas sabe disso. Não precisa ir tão longe. Só fanáticos e ultra-alienados ignoram ou perdoam os escândalos e falcatruas de toda laia, protagonizadas com tanta frequência por arautos de religiões e fé. Religião é uma das formas de espiritualidade. Certamente, a mais comum. Mas não é a única.  Pode-se ter uma espiritualidade, desgarrada de fé religiosa, oriunda de uma mística vinda da contemplação do mistério da existência, nascida de um deslumbramento frente ao universo, como argui e testemunha André Comte-Sponville, prestigiado filósofo e conferencista da Sorbonne, no seu belo livro O Espirito do Ateísmo (Martins Fontes, São Paulo, 2007).Pode-se constatar: práticas religiosas, fé em Deus, ritos, cerimônias, não são as únicas vias para a transcendência.

Para citar um exemplo, dentre os numerosos que conhecemos. Você tem coragem de desmerecer uma grande figura do humanismo brasileiro, Oscar Niemeyer (103 anos!) -  que por sinal publica agora um livro sobre seus 16 projetos de igrejas e mesquitas -, porque ele é ateu convicto?!
 
Loas ao Ministério Público.
Lástimasà emissora e ao programa, responsáveis por tal disparate!
 
É o que penso. E você?

Reforma eleitoral (V): financiamento de campanha

13 de Setembro de 2011, por João Magalhães 0

Na realidade, nós contribuintes já financiamos campanhas eleitorais, através do “fundo partidário”. Trata-se de um fundo especial de assistência aos partidos políticos, constituído pela arrecadação das multas eleitorais, por recursos financeiros legais, doações espontâneas privadas e doações orçamentárias públicas. Segundo as leis 9.096/95 e 11.459/07, 5% do fundo são destacados em partes iguais a todos os partidos que tenham seus estatutos políticos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os demais 95% do total desse fundo são distribuídos aos partidos na proporção dos votos obtidos na última eleição geral para a Câmara dos Deputados.

O projeto da comissão do Senado adotou o financiamento público de campanha eleitoral. Em suma, prevê o seguinte: ficam proibidas as doações de pessoas físicas e jurídicas. No orçamento do ano eleitoral, constará a verba que o governo destinará para o custeio da campanha. Para o primeiro turno, a base do cálculo do valor será o número de eleitores registrados até 31 de dezembro do ano anterior ao ano eleitoral, multiplicado por R$7,00. Havendo segundo turno, multiplica-se por R$2,00. O montante será depositado numa conta do Banco do Brasil, à disposição do TSE, e os recursos serão distribuídos do seguinte modo: 1% divididos igualmente para cada partido, registrados no TSE; 14%, divididos entre os partidos que têm representação na Câmara Federal; os restantes 85% ficam para os partidos, proporcionalmente ao número de representantes que elegeram para a Câmara Federal na última eleição.

Na pesquisa feita encomendada pelo Senado, 48% opinam que o financiamento só deve ser privado; 32%, que o financiamento seja somente público: apenas 15% são favoráveis ao atual sistema: financiamento público e privado.

Acho que o esquema atual precisa mudar. Ou é público, ou é privado.Os dois não. Esta imoralidade que rola por aí, escancarada (felizmente a justiça já começa a realizar algumas cassações), tem que ser cerceada. Pesados os prós e os contras, penso que o financiamento público é melhor. Não vai acabar com a corrupção, mas pode diminuí-la. Sendo ilegal qualquer contribuição privada (que no esquema atual visa, quase sempre, a benefícios, proteções, privilégios e vantagens), é mais fácil denunciar, processar, provar e punir. O financiamento privado é uma enganação. Raramente, é gratuito. A conta é alta e quem paga somos nós, pois, o financiado “recompensa” o financiador, desviando para ele a contribuição de todos para benefício de todos.

Reforma Eleitoral (IV): Voto facultativo, ou obrigatório?

17 de Agosto de 2011, por João Magalhães 0

Voto facultativo. Contrário à legislação vigente, o comparecimento à seção eleitoral seria livre. Votar deixaria de ser uma imposição. O cidadão pode exercer seu direito de votar, ou não.

A expectativa seria uma melhoria na qualidade do voto, com um avanço consequente no processo democrático.

Haveria igualmente uma economia de gastos para a nação pela desativação da máquina burocrática das justificações e punições pelo não comparecimento à votação. Diminuiria também o tráfico, ou seja, o comércio clandestino de votos.

Usei, propositalmente, os verbos no condicional, ou futuro do pretérito, como querem os gramáticos, porque tenho as minhas dúvidas.

De há muito, descreio na mudança de muitos comportamentos só pelo processo educativo. Alguns hábitos ou atitudes que tenho visto mudados, ou mutantes atualmente, assim o estão porque se legislou a respeito. Como exemplo, o cinto de segurança. De dependesse só de campanhas educativas, pouquíssimos o estariam usando. Mesmo assim, um razoável número de pessoas ainda o menosprezam. Vejo isso nas frequentes viagens de ônibus.

O mesmo pode-se dizer do fumo em locais em fechados. Idem quanto à campanha contra a poluição. O inimaginável uso, abuso e desperdício de sacolinhas plásticas que empanzinam a natureza só serão controlados mediante proibição e fiscalização, como já acontece em alguns municípios, inclusive São Paulo. Campanhas educativas são necessárias, fundamentais até, mas o efeito delas só se garante se fizer parte do projeto alguma legislação, alguma coerção.

Em pesquisa, este ano, feita por telefone com 797 pessoas a partir de 16 anos, em todos os estados e o Distrito Federal com a seguinte pergunta: “Você acha que o voto deve ser facultativo, ou obrigatório?”, 65% dos entrevistados responderam que o voto deve ser facultativo. 85% deles, no entanto, afirmaram que iriam votar, mesmo sendo facultativo.

Mesmo assim, acho temerário optar pelo voto facultativo, no atual estágio evolucional político de nossa sociedade. Pode ocasionar um retrocesso na educação política. Além do mais, reformas fundamentais, com sérias e duradouras consequências, não se devem guiar só por pesquisas. Sobretudo esta, cujo universo achei muito estreito: só 797 pessoas!

A alienação política infla dolorosamente, cada vez mais na juventude - e nisto a culpa maior está em nosso atual processo eleitoral que sustenta esta desqualificada classe política que nos governa há anos. Uma liberação, vota quem quer, não seria uma substanciosa vitamina para esse desinteresse?

O argumento de que voto facultativo debilita o “comércio” de votos, penso que não cola: a modificação será no preço. Será mais caro convencer o eleitor a se deslocar para a sessão eleitoral! O pernicioso voto-celebridade: artistas, esportistas, modelos, big-brothers, mulheres-fruta, religiosos etc., continuará, se não aumentar, mas uma reforma decente enfraquecerá o efeito dele. Talvez o voto “cacareco, o voto “macaco tião”, em partes os votos “Enéias” e “Tiririca”, decresçam, ou sumam; no entanto, eles têm significância social como espaço de protesto e diagnóstico de situações políticas.

Acho arriscado mexer no item obrigatoriedade. Aliás, a comissão do Senado para a reforma já se posicionou pela sua permanência.  Há temas muito mais importantes a se analisar.

E voltando à pesquisa, se 85% dos pesquisados votariam, mesmo sendo o voto voluntário, acho desnecessário bulir. Por que e para que mudar? Compensa o risco de uma piora? É melhor deixar como está. É o que penso. E você?